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Pegando mais leve ao ritmo de Soul


Estava eu voltando do mercado a pé, pois nos últimos dias eu tenho tentado poupar o combustível ao máximo, enquanto escutava uma das estações que mais adoro na Accuradio: Soul Classics 1956-65. 

Realmente amo de paixão a música que se fazia no cenário soul norte-americano entre os anos 50 e 70. Talvez tenha sido influência do filme The Commitments - Loucos pela Fama (Alan Parker, 1991), que me fez cair de amores por este estilo! 

Mas o fato é que enquanto desligava do problema da falta de abastecimento, greve de caminhoneiros, pendências de consultoria e perrengues da dança, tocou uma música cujo cantor tinha a mesma voz do Mick Jagger. Então eu pensei, algo estranho aqui... e fui ver quem era. 

Eis que descubro mais um artista maravilhoso dentre tantos que eu já escuto há anos (vide a tag aqui no blog): Don Covay. Que voz!!! Pelamor!!!

Perfeito para seguir a caminhada, pensando que, às vezes, a vida manda a gente pegar mais leve e, mesmo diante de circunstâncias pra lá de estressantes, desacelerar é imprescindível.

A propósito, deixo o link pro filme aqui também, caso alguém não tenha visto ou queira rever! :)

Uma musiquinha para começar....


Daí a gente parte pro full album, que merece ser escutado do início ao fim!



E se sobrar tempo, olha o filme The Commitments aqui! Trilha sonora mara!!!
(fiquei até nostálgica, gente!)

Das caminhadas diárias...

Aquele que souber adaptar-se será preservado até o fim. ~ Lao Tsé


Tenho tentado retomar a rotina das atividades físicas, após dois anos só com a dança flamenca. Essa rotina é mais que necessária, não apenas para o corpo, mas também para a mente. Essa horinha do dia em que saio para caminhar, eu consigo colocar a cabeça em ordem, avaliar os desafios sob outra perspectiva, escutar meu eu interior, ainda que eu faça isso tudo ouvindo música alta.


Hoje, num momento pra lá de nostálgico, enquanto rolava Gene Loves Jezebel na playlist, eu me dei conta de que para uma situação que vem me angustiando há alguns meses, eu estava buscando uma solução por um caminho que não faz sentido. Quase que me precipito. Me parece neste momento, que para resolvê-lo eu tenha que pensar em como adaptar-me à uma nova situação, e não enfrentá-la.

Voltei pra casa toda contente... de repente, este assunto ficou com uma cara bem mais simpática... nada como reservar alguns minutos diários para este contato com nós mesmos. A diferença vamos sentindo aos poucos. Isso não é segredo para ninguém, mas a nossa vida corrida e a impaciência dos tempos modernos fazem com que de vez em quando a gente deixe esses hábitos tão importantes de lado.

Como diria Lenine... eu envergo, mas não quebro.... 

Aretha outra vez... e a maravilha de um programa simples

Como enjoar dessa voz perfeita? Só deu Aretha Franklin aqui em casa no feriado... Pela manhã rolou muito flamenco, pois estávamos em pleno ensaio lá na escola (Rê e eu, apenas). 


Mas, chegando em casa, parti pro melhor programa ever... ficar quieta escutando música acompanhada do trio felino (pois marido está longe). Afinal, ficar à toa ouvindo música, lendo um bom livro ou vendo um filme legal é simplesmente um bálsamo para o espírito. Amo muito estar em casa fazendo (quase) nada...

“Os prazeres mais singelos são o último refúgio das pessoas complicadas.” 
― Oscar Wilde


Canned Heat, blues e um sábado à toa

Ontem foi um daqueles aproximadamente 15 sábados do ano em que eu não dou aula. Rotina que se mantém há exatos 18 anos e que eu adoro.

Meu amor à OF é tanto que eu sequer sei como aproveitar as manhãs de sábado quando não estou por lá. Chegamos cedo e ficamos na escola apenas até as 10 horas e depois saímos para resolver algumas coisas. Eu aproveitei para passar na Komboleria, um café da asa norte que vende produtos sem glúten e sem lactose. Tomei um expresso, provei uma fatia de bolo e trouxe pra casa alguns pãezinhos e um maravilhoso chutney de tomate que a vendedora me ofereceu para degustar e que eu amei.

De lá, voltei pra casa, organizei um monte de coisa, comecei a preparar as aulas do curso teórico que teremos esta semana e depois fui ler um pouco. Como eu não consigo ler escutando flamenco, pois eu fico marcando o compasso das músicas e me distraio, eu normalmente gosto de estudar ou passar o dia com um bom livro acompanhada de música clássica, bossa nova ou blues.

Ontem, escolhi blues para embalar a leitura. Me lembrei que eu havia anotado o nome de vários artistas de uma playlist do Song Pop (sim, eu jogo quando tenho tempo e me divirto horrores hehehe!) e lá fui eu selecionar alguns clássicos que desejava escutar. Cannet Heat foi um deles.

Apaixonada pela música On The Road Again, eu devo ter ouvido provavelmente umas 18 vezes de ontem pra hoje. Já até procurei os acordes para tocar no violão! (A propósito, preciso praticar o violão com mais disciplina. É que eu ando tendo um caso de amor com minha máquina de costura e está difícil me manter afastada dela nas horas vagas.)



Resumo da ópera: fazia tempo que eu não tirava um sábado para fazer absolutamente nada importante. Estava precisando. No final do dia ainda deu para ir à uma festinha julina com Lauris, Gus e Lipe. Pena que Moha está viajando. Teria sido ótimo tê-lo por aqui este final de semana! Foi simplesmente leve!

Ah, isso tudo para escrever que, após escutar muito Canned Heat, eu comecei a pesquisar um pouco mais sobre a banda e acabei encontrando este blog sensacional, que merece ser visitado muitas outras vezes! Descobri que um dos líderes da banda faleceu super jovem, aos 27 anos (é ele quem canta neste vídeo abaixo). O outro líder da formação original também faleceu jovem, 11 anos depois, mais ou menos. O mais interessante é que a banda permanece ativa até  hoje e por ela já passaram mais de 40 integrantes!).

O melhor método para viajar? A música.
B.B. King

Ai, a felicidade

"Sair da zona de conforto é uma decisão e é um custo sair da zona de conforto. [...] Mudar é muito difícil, não mudar é fatal."

(Leandro Karnal)


Por uma vida onde a gente não precise acreditar que, para ser feliz, uma pessoa precise provar que é bem sucedida financeira e profissionalmente. No fundo, a sociedade de consumo em que vivemos é artificial demais... coisa boa é conseguir distanciar-se um pouco desse desvario.



Vale super a pena assistir a este trecho de palestra do filósofo e historiador Leandro Karnal sobre "A vida que vale apena ser vivida em tempos líquidos".



Bowie, Degrasse Tyson e os vencedores

Hoje acordamos com a triste notícia de que David Bowie, o camaleão que muitos de nós crescemos escutando e talvez jamais imaginássemos que este dia fosse chegar, já não está mais aqui.

Vários portais de notícia publicaram a informação dizendo que o cantor perdeu a batalha contra o câncer. Ora, eu fico muito triste quando leio essas manchetes, afinal de contas, qualquer pessoa que enfrentou esta doença de cabeça erguida já é por si um vencedor, independente de ter sobrevivido ou não.

Não é preciso ser um gênio para lembrar que a morte um dia vai chegar para todos, e nem por isso as pessoas terão fracassado na luta pela vida.

Por que as pessoas dizem que alguém "perdeu a batalha para o câncer", mas não usam a mesma expressão quando se morre de tantas outras doenças diariamente? Quantas vezes lemos em algum jornal que uma pessoa perdeu a luta para o ebola, para o diabetes, para alguma cardiopatia, e por aí vai?

Eu, particularmente, acho isso uma injustiça. Afinal de contas, quem lida com o diagnóstico de  um câncer, bem como seu tratamento, já é por si só uma pessoa merecedora de todos os títulos de coragem e bravura.



Aliás, deveríamos parar de pensar que morrer é perder uma luta. Morrer é parte do ciclo natural da vida, quer a gente goste ou não. Desejar estar aqui para sempre é que é estranho.

Claro que independente da gente reconhecer este fato, é ruim ter que dizer adeus a quem amamos. E é assustador pensar em algo que não sabemos como será, ou seja, o grande mistério que envolve a pergunta: o que acontece depois daqui?

Porém, acredito plenamente que nossa história não encerra com nossa partida. E acredito, realmente, que seguimos uma trajetória, seja retornando a este plano ou não, sempre em direção a algo. Em minha opinião, vamos nos tornando seres melhores. Mas como não temos provas concretas sobre o que ocorre, o assunto também me angustia e por isso evito pensar nele.

O post foi apenas para lamentar a ausência de Bowie e dizer que achei super legal ver tanta homenagem a ele hoje cedo. Até Banksy publicou em seu mural no Facebook a foto de um antigo grafite inspirado em uma das capas de discos mais famosas do rock britânico.


Para encerrar, gostaria de compartilhar novamente este trecho super inspirador de uma entrevista com o astrofísico americano Neil Degrasse Tyson. Vale a pena assistir ao vídeo.

"O conhecimento de que vou morrer é que cria o foco que eu trago estando vivo. A urgência de realização, a necessidade de expressar amor, agora! E não depois. Se você vive para sempre por que sequer sair da cama pela manhã porque você sempre terá o amanhã?"
~ Neil Degrasse Tyson


Quando uma cidade te pega pelo coração

Na primeira vez em que estive aqui, não me identifiquei muito com o ritmo dessa cidade.
Na segunda, embora sempre tenha achado Paris linda de viver, continuei achando as pessoas pouco acolhedoras.
Já na terceira vez em que visitei a capital das luzes com minha irmã, um verdadeiro afeto por Paris e seus arrondissements começou a crescer dentro de mim. ♡
Porém, foi justo agora que, contrariando todas as minhas expectativas, Paris conquistou um lugar definitivo no meu coração.


Gratidão enorme por mais essa oportunidade, por todos os momentos incríveis que passamos esses dias todos, pelas pessoas gentis com quem estivemos e por todos que, de alguma forma, me ajudaram a estar aqui. 

Saudades de casa! Contando as horas para chegar e ver todo mundo. Mas também desejando muito perder-me por Paris muitas e muitas outras vezes. Se Deus quiser, em breve!

E nenhum rosto é tão surrealista quanto o rosto verdadeiro de uma cidade. ~ Walter Benjamin

Aproveito para compartilhar este link super legal que conta um pouco sobre como era a cidade no início do século XX. Uma época pela qual eu tenho enorme fascínio!


 

Qualquer caminho leva a toda parte



QUALQUER CAMINHO LEVA A TODA PARTE
[ Fernando Pessoa ]

Qualquer caminho leva a toda parte.
Qualquer ponto é o centro do infinito.
E por isso, qualquer que seja a arte
De ir ou ficar, do nosso corpo ou ‘spr’rito,
Tudo é ‘stático e morto. Só a ilusão
Tem passado e futuro, e nela erramos.
Não há ‘strada senão na sensação
É só através de nós que caminhamos.

Tenhamos p’ra nós mesmos a verdade
De aceitar a ilusão como real
Sem dar crédito à sua realidade.
E, eternos viajantes, sem ideal
Salvo nunca parar, dentro de nós,
Consigamos a viagem sempre nada
Outros eternamente, e sempre sós;
Nossa própria viagem é viajante e ‘strada.

Que importa que a verdade da nossa alma
Seja ainda mentira, e nada seja
A sensação, e essa certeza calma
De nada haver, em nós ou fora, seja
Seja inutilmente a nossa consciência?
Faça-se a absurda viagem sem razão,
Porque a única verdade é a consciência
E a consciência é ainda uma ilusão.

E se há nisto um segredo e uma verdade
Os deuses ou destinos que a demonstrem
Do outro lado da realidade,
Ou nunca a mostrem, se nada há que mostrem
O caminho é de âmbito maior
Que a aparência visível do que está fora,
Excede de todos nós o exterior
Não pára como as cousas, nem tem hora.

Ciência? Consciência? Pó que a ‘strada deixa
E é a própria ‘strada, sem ‘strada ser.
É absurda a oração, é absurda a queixa.
Resignar(- se) é tão falso como ter.
Coexistir? Com quem, se estamos sós?
Quem sabe? Sabe o que é ou quem são?
Quantos cabemos dentro de nós?
Ir é ser. Não parar é ter razão.

11-10-1919

******

Talvez esta música já tenha passado por aqui, mas hoje a escutei e um turbilhão de coisas me vieram à mente. Não sei se pela música ou pelo que eu estava fazendo no momento.


Verde que te quero...

Esta foi a música da semana. A escutamos (e cantamos) todos os dias nas aulas do curso Especial Tertúlia Flamenca. 

Na verdade, a escolha se deu por motivos bem concretos. A pessoa aqui está tentando aprender a tocar violão. Mesmo tendo assistido a poucas aulas, estou apaixonada e, pouco a pouco, a insegurança por ser canhota e achar que jamais conseguiria tocar o dito instrumento vai diminuindo. 

Recentemente, comecei a praticar uma batida bastante utilizada nas rumbas gitanas. Mas como ainda toco devagar, fiquei procurando uma rumbinha beeeem lenta para praticar. Eis que me lembro dessa enquanto preparava o conteúdo do intensivo que estou dando esta semana.

Arte: João Lauro Fonte
Voilá! Com letra e tudo, as alunas estão animadas para tentarmos (só tentarmos meeesssmo) ter música ao vivo no encerramento do curso! 

Claro que a Ana será o violão principal! hahaha! Mas estou me empenhando para acompanhar decentemente!

No mais, só posso afirmar que estou amando esta semana de intensivos na OF! Estamos nos divertindo muito e, mesmo cansada fisicamente (essa "ressaca" pós-espetáculo é punk), me sinto muito grata por poder fazer o que mais amo. 


Viajo na próxima semana, mas já pensando nos cursos que darei quando voltar. Sinto uma falta danada quando não estou na escola. 

Rock, boatos e notícias desastradas


Faltando praticamente uma semana para o espetáculo da OF e a veia sociológica volta a pulsar com força enquanto observo com estarrecimento o surto coletivo que estamos vendo nos últimos dias nas redes sociais em virtude dos recentes acontecimentos. 

Qual a responsabilidade dos meios de comunicação na disseminação de tanto amargor? É muita responsabilidade. Pensem na quantidade de besteira sendo difundida e em como as pessoas que não se dão ao trabalho de pesquisar ou confirmar os boatos, no fim das contas, contribuem também para replicar desinformação.

Uma boa forma de evitar cair em certos contos do vigário é investir alguns minutos confirmando as notícias que lemos ou, ao menos, acessando diferentes portais de informação para observarmos os distintos tons que são dados na hora de divulgar os mais diversos acontecimentos.

“A mídia não cobre mais os acontecimentos. Ela gera versões e tenta transformá-las em verdade”, Laymert Garcia dos Santos (sociólogo)


Apenas acrescentando que, além de jornalistas sensacionalistas e medíocres, vários sites ainda ajudam a piorar as coisas ao compartilharem boatos e coisas afins que em nada ajudam o planeta. Pelo contrário, apenas aumentam o medo, o ódio e a intolerância.

Por falar em "notícias" atrapalhadas, aí vai um pouco de The Go Getters para embalar a leitura desta pequena matéria publicada pelo site boatos.org. Dá para termos uma ideia do grau de desinformação que vem sendo propagada mundo afora!!!

 

Dança, cultura e devaneios



Por uma semana de sonhos e devaneios....


Eu não sou uma sonhadora. Só devaneio para alcançar a realidade.
Clarice Lispector






Apaixonada por essas estampas da Eucalol Série 292 "As Danças Através do Mundo".


Para ver todas elas e as descrições, acesse o site Cultura e Conhecimento e navegue sem moderação!

Quer música mais apropriada para embalar a segunda-feira?




Aproveito para complementar o post compartilhando também a versão original, a qual, descobri esta semana, era a música preferida da minha querida aluna Anna quando criança. :)



Eucalol foi uma empresa de produtos de higiene pessoal brasileira, fundada no Rio de Janeiro pelos irmãos alemães Paulo e Ricardo Stern. Era mais conhecida por seu sabonete que, feito de eucalipto e apresentando uma coloração verde, causou no público da época certo estranhamento. Isso fez com que os empresários resolvessem inovar e lançar no mercado estampas colecionáveis junto ao sabonete, prática que se tornou um grande sucesso entre os consumidores.

As inesquecíveis estampas acompanhavam as embalagens do sabonete Eucalol, circulando no Rio de Janeiro por três décadas, entre 1930 e 1960. Impressas em cartão formato 6x9, apresentavam na frente desenhos com temas variados e no verso um texto explicativo. Elas participavam do cotidiano de crianças e adolescente que privilegiavam as “figurinhas” instrutivas, que ao longo de 54 temas, conduziam-nos por viagens imaginárias entre animais pré-históricos, peixes das profundezas oceânicas, índios do Brasil e episódios da história brasileira.

Permaneceu no mercado até a década de 1970.

Fonte: Wikipédia 

O beijo libanês, o bolo amarelo e o outubro rosa



Esta música, aqui interpretada pela talentosa Montse Cortés acompanhada por Javier Limón, é uma famosa música (Bint Al Shalabia para uns, Kamtar zan shane para outros) já gravada por dezenas de artistas (seja apenas instrumental, cantada em árabe ou em outro idioma). É, digamos, um clássico da música oriental.

A escolhi porque, além de linda, é leve, tem um quê de feminina e achei que combinaria bem para abrir o mês de outubro, conhecido pela importante campanha de combate ao câncer de mama, e também para aproveitar o pretexto do título e passar a receita de um bolo tipicamente libanês que eu preparei para um encontro que tivemos na minha escola de dança semana passada e que agradou a muita gente!





Fiquei especialmente feliz porque o Sfouf (nome do bolo, em árabe), além de remeter às minhas origens, pode ser veganizado - assim como na receita que eu costumo preparar. Basta trocar o leite de vaca por qualquer outro leite vegetal. Eu já testei com leite de soja, de aveia, de arroz e de amêndoas. Sempre dá certo, embora o preparo com leite de soja exige que o bolo fique beeeeem assado para evitar que ele azede antes do tempo. Vide passo a passo ao final do post. 

Sobre a música, uma última informação. Ela faz parte do álbum Mujeres de Agua, produzido pelo próprio Javier Limón e é um tributo lindo de viver às mulheres iranianas que são proibidas de cantar em público e gravar discos. Mas tenho certeza de que um dia isso tudo muda! As pequenas grandes conquistas são celebradas por mulheres em todo o mundo, cada qual em intensidades diferentes, mas igualmente importantes.

Já que não dá para fazer um bolo ouvindo apenas uma única música, escolhi outras duas do mesmo álbum! Lindas, não?




Vamos à receita?

Sfouf 
(bolo libanês feito à base de cúrcuma)



Pre-aqueça o forno a 180ºC.

Em uma vasilha, misturar (primeiro os secos, depois acrescentar os ingredientes molhados):

- 300 g de farinha de trigo
- 100 g de semolina
- 225 g de açúcar
- 1 colher chá de cúrcuma (também conhecida como açafrão da terra, vende em qualquer supermercado, na prateleira de temperos)
- 2 colheres chá de fermento em pó
- 1 xícara e 1/2 de leite vegetal (pode usar um pouco menos e, se achar que a consistência está muito grossa, adicionar o restante paulatinamente)
- 1/3 xícara de óleo vegetal

Observações:
- há quem adicione mais cúrcuma à receita, vai do gosto de cada um.
- a maior parte das receitas que eu pesquisei incluem a erva-doce na massa (outra opção é aromatizar o leite com a erva doce e depois usá-lo na receita). Como eu não sou fã de erva-doce, eu faço o meu bolo sem.
- pode usar o leite de vaca normal, mas é que eu não compro aqui em casa.

Preparo:

Mexer com uma colher grande até a mistura ficar bastante homogênea. Passar a mistura para um tabuleiro untado e enfarinhado (as receitas originais sugerem untar com tahine e não enfarinham. Como eu uso um tabuleiro redondo de ferro fundido e esmaltado, eu não unto nem enfarinho). Como decoração, pode-se utilizar amêndoas sem pele, amêndoas em lasca, snoubar ou gergelim.

Levar para assar por aproximadamente 20 a 25 minutos, dependendo do forno.

Retirar do forno quando ele estiver bem moreninho por cima e, ao enfiar um garfo ou palito no centro do bolo, perceber que ele está sequinho.

Deixar esfriar antes de cortar (super importante para que ele não quebre). O formato do corte é aquele em losangos como na foto.


Esta foi o primeiro sfouf que eu fiz.
No dia em que preparei não tinha amêndoas, então usei gergelim por cima.





Apaixonada por violão

Esta semana, uma amiga de Facebook me convidou para postar a primeira música que me viesse à mente e Capricho Árabe, de Francisco Tárrega, foi uma delas.

Digo uma delas, pois não consigo lembrar-me de Tárrega sem recordar também a Enrique Granados, mais especificamente Dança Espanhola n.5.


A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo.
 ~ Oscar Wilde

Escolhi este vídeo, pois estou na fase "aprendendo violão (sem pressa)" e passei o final de semana assistindo a vários vídeos. Este está entre os que me impressionaram muito. A linda violonista Tatyana Ryzhkova toca com uma naturalidade e entrega que emocionam.

Como eu sou realmente apaixonada por violão clássico e o canal da artista no youtube possui vários vídeos, resolvi deixar registrado aqui mais alguns para não esquecer-me da dica musical. Espero que vocês também gostem!



Jardins de Luz e um Coração de Ouro

Resolvi começar a ler "Jardins de Luz", de Amin Maalouf, hoje...

Por uma incrível proeza do destino, abri sem querer nessa página, enquanto me decidia se iniciaria ou não a leitura, e me deparei com este trecho lindo de viver, perfeito para este setembro que vem chegando com muito carinho!
Como acontecia certas vezes, suas meditações, iniciadas com um monólogo, tomaram a forma de um diálogo com seu alter ego, o "Gêmeo".
- Para tudo o que tenho que fazer quanto tempo terei?
- Sobre isso nada saber-as - disse-lhe o Outro.
- Poderia ao menos saber se disponho ainda de sete anos, se conseguirei atingir a idade do Cristo, de Alexandre?
- Tens a eternidade e o instante, mas e daí? O tempo é uma armadilha das Trevas, não te deixes engabelar. Tua única preocupação deve ser tua missão, cada dia!
- Poderia ao menos saber se verei o fim de minha obra?
- Confia o futuro a mim; caminha, teu destino galopa, distante, a tua frente. As gentes estão impacientes em Beth-Lapat!"
~ Amin Maalouf in: Jardins de Luz, p. 152.
Mandala produzida pela artista Kathy Klein

A música escolhida pro post foi "Heart of Gold", pois estou com ea na cabeça desde o dia do meu aniversário. Foi a primeira música que ouvi na última sexta, enquanto preparara uns muffins veganos para o lanche do final da tarde. Perfeita, não?



Para quem quiser mais informações sobre o livro, aí vai um pedaço da "orelha":

Maomé, Buda e Jesus têm milhões de fiéis. Mani não tem um sequer. Aquele que em seu tempo quis conciliar todas as religiões tornou-se o mais esquecido entre os profetas. O que resta hoje do maniqueísmo, uma das grandes religiões fundadas na Antiguidade e que teve seguidores na Índia, China, África, Itália e sul da Espanha, é a visão deformada de uma luta simplista entre o bem e o mal, resumida em uma palavra próxima ao insulto. O estudo de fontes árabes, persas e armênias renovou o conhecimento a respeito de Mani, e a descoberta de manuscritos escondidos perto de Tebessa - Argélia - trouxe à tona novos dados sobre a vocação deste protagonista de Jardins da Luz. 
O profeta, que foi médico e também pintor, tem a sua vida reconstituída numa história que começa menos de dois séculos após a morte de Cristo. [...]


Deixar ir ao som de Nouvelle Vague

Dejar ir es aceptar tu historia, pero no tu destino. 

Adorei essa frase que li esta tarde. Apareceu para mim no feed de notícias do (nem tão) bom e velho FB em uma página que eu curti há alguns meses chamada La Mente es Maravillosa. A frase é uma chamada para um texto que fala sobre aceitarmos o fato de que pessoas e acontecimentos importantes para nós não precisam fazer parte da nossa vida para sempre. E nem por isso devemos transformar isso em motivo de sofrimento ou desequilíbrio interior, como muitas vezes acontece.


Eu, particularmente (e felizmente), aprendi isso durante meu retorno de saturno (leia-se, entre 28 e 29 anos). Mas o lado maravilhoso de tudo isso é que aprendi a valorizar cada minuto ao lado de pessoas queridas e fundamentais para mim, ciente de que tempo de convivência não é medidor do quão relevantes são certos episódios e/ou relacionamentos em nossa vida.

E assim tudo fica mais leve. Pelo menos para mim.

Sei que tem gente que sofre pacas com a ansiedade gerada pela menor possibilidade de rompimento ou afastamento. E eu mesma, já me peguei em situações bem pontuais ocorridas nos últimos anos envolta nesse tipo de vibe, a qual aprendi a reconhecer e driblar. Ufa! (afinal, já são tantas outras preocupações que ainda tenho que descobrir como lidar nessa vida... mas vamos aprendendo, sempre)

Por isso deixo aqui o link para o texto.

Não é longo.

Dá para ler ao som de Nouvelle Vague e ainda sobra música para ir fazer um café e navegar um pouco na internet. Ou, quem sabe, mandar uma mensagem amável e que irá fazer toda diferença no dia de alguém realmente importante para você? :)

Dejar ir nunca es fácil. Requiere valentía y un convencimiento pleno y seguro de que desprendernos de esa relación, de esa amistad o de esa situación, es algo vital para nuestro equilibrio y felicidad.Saber reconocer la necesidad de cerrar un ciclo es ya de por si un acto de madurez. No obstante, del reconocimiento al acto hay un paso muy duro cargado de tristezas, y de un duelo personal que superar.Dejar ir supone supone en la mayoría de los casos tener que “reconstruirnos”, tener que replantearnos a nosotros mismos, y en muchas ocasiones, incluso partir de cero.Ahora bien, también hemos de tener en cuenta que mucha gente no termina de asumir  y afrontar de forma correcta el fin de un ciclo, de una etapa.Hay quien piensa que dar por finalizada una relación es el punto final a su propia vida. Tras ese adiós y esa separación, ya no hay nada más. Dejar ir es ese acto del destino que echa el telón a su vida afectiva.Debemos tener cuidado con este tipo de pensamientos y actitudes derrotistas. Después de un punto final viene un espacio, y con él, nuevos senderos y oportunidades para ser feliz tal y como nosotros deseamos.
Hoy queremos invitarte a reflexionar sobre ello.

Leia o texto completo aqui:  Dejar ir es aceptar tu historia, pero no tu destino

O que a vida está tentando te falar?

Aquietar o coração e tentar ouvir o que a vida está tentando nos falar não é das tarefas mais fáceis.

Normalmente nós estamos preocupados com tanta coisa, envolvidos em tantos projetos que a vida às vezes tem que dar uns gritos meio bizarros para que a gente pare e escute.

Há anos li em um livro que quanto mais a gente ignora esses avisos, maior o susto que tomamos quando nos damos conta do que devíamos ter escutado.

Pensando muito sobre isso esta semana. O fato é que quando a gente se dispõe a escutar nossa voz interior, muito aprendizado vem em seguida. Como cantava Elis...

Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

(ou a viver)





A difícil arte de ser simples

Esta manhã encontrei entre os links salvos nos "favoritos" do navegador um texto super interessante a respeito da difícil arte de ser simples. Já havia lido uma vez, gostei e salvei. E me esqueci completamente do texto. Hoje, reli. E, sinceramente, me identifico cada dia mais com essa filosofia de vida. Coloco aqui como registro para não deixá-lo para trás outra vez.



Possivelmente, a arte da simplicidade seja a conquista mais difícil para o indivíduo, pois exige naturalidade e uma boa dose de pureza espiritual na forma como ele se relaciona consigo mesmo e com o mundo à sua volta. ~ Flávio Bastos 

Para embalar a leitura, fica registrada também esta lindíssima versão para Lua Branca, interpretada por Chano Domínguez y Niño Josele, duas feras que também deixaram suas marcas indeléveis no flamenco. Só fiquei triste porque no final, ao comentarem sobre a música, eles se embananaram e atribuíram a autoria a Pixinguinha e não à sua verdadeira compositora, Chiquinha Gonzaga.... Alguém bem que poderia dar um toque, né?



Oh, lua branca de fulgores e de encanto
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto

Ai, vem matar essa paixão que anda comigo
Oh, por quem és desce do céu, oh lua branca
Essa amargura do meu peito, oh, vem, arranca

Dá-me o luar de tua compaixão
Oh, vem, por Deus, iluminar meu coração
E quantas vezes lá no céu me aparecias

A brilhar em noite calma e constelada
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada

E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim

Gente que ama calor

Gente que ama o calor. Yooooooo!
Esta ilustração me representa! :)


Sonhando com um piquenique, um dia quente de sol... vestindo saia longa, sandália nos pés... e, quem sabe, escutando Zé Ramalho, Zeca Baleiro e Fagner enquanto balanço numa rede. É pedir muito? :)

E se teu amigo vento não te procurar
É porque multidões ele foi arrastar...





Das coisas legais de domingo


O amor é o encontro com a sua alma no outro. 

Lindo, não? Palavras do chileno Alejandro Jodorowsky neste trecho de entrevista que acabei assistindo hoje cedo, entre um e outro álbum de Baden Powell disponível no youtube.

Sabe-se lá por quê este vídeo apareceu entre as sugestões musicais desta manhã, pois nunca tive muita curiosidade em ler ou saber mais sobre ele, embora já tenha postado sobre seu filho, Adanowsky, aqui na página. Mas me alegro por ter tido a curiosidade de parar o que eu estava fazendo para vê-lo. Coisas que acontecem quando estamos sintonizadas com nosso coração. Pelo menos, acredito nisso. 


Ele fala sobre algumas outras coisas bem legais, algumas das quais estão melhor explicadas em um antigo livro de Dion Fortune chamado "Filosofia oculta do amor e do matrimônio". Por ser um livro etiquetado como "ocultista" nas livrarias e bibliotecas, ele acaba sendo deixado de lado por puro preconceito de algumas pessoas. Porém, a leitura dos capítulos finais é super interessante e merece ser mencionada.

Hoje o domingo não foi de ensaio, nem de apresentação. Mas nem por isso deixou de ter seu momento mágico. 



Recordando a Triana

Em julho de 2014, após me dar de presente uma viagem de curta duração à Sevilla, onde tive a oportunidade de rever pessoas queridas, fazer aula com a fofíssima Leonor Leal e comprar muitos livros e discos de flamenco, voltei pra casa com mais um regalito: um álbum gravado em homenagem ao lendário grupo Triana, um dos precursores do rock andaluz e que fez muito sucesso nos anos 1970 e início dos anos 80.

Coração feliz na Alameda de Hércules...
Saudade define... 

Infelizmente, o grupo, que bebia de diversas fontes, entre elas, o flamenco, a poesia e o rock progressivo da época, teve sua trajetória bruscamente interrompida após a morte trágica de Jesús de la Rosa, seu cantor, tecladista e autor de grande parte do repertório do Triana, que não sobreviveu aos graves ferimentos provocados por um acidente de carro em outubro de 1983.

Desde que vou a Sevilla, escuto falar de Triana - não o bairro, o grupo. Mas nunca tive curiosidade de escutar, pois, embora soubesse que algumas das letras cantadas por Manuel Molina haviam sido escritas em parceria com Jesús de la Rosa, o rock progressivo não me empolga muito.



Capa do disco que eu trouxe em 2014, inspirada
na capa do álbum de lançamento da banda, nos anos 70

Porém, esta semana resolvi finalmente abrir o lindo CD gravado em homenagem ao grupo, que trouxe de Sevilla ano passado. Coloquei no som do carro, para ir ouvindo em doses homeopáticas.

Por fim, não apenas escutei o disco inteiro todos os dias, de segunda a sexta, como já tenho minhas músicas favoritas do coração. O que é a cantaora Argentina interpretando Abre la Puerta????

Yo quise subir al cielo para ver
y bajar hasta el infierno
para comprender
qué motivo es
que nos impide ver
dentro de tí
dentro de mí.
Abre la puerta, niña
que el día va a comenzar
se marchan todos los sueños
qué pena da despertar.
Por la mañana amanece
la vida y una ilusión
deseos que se retuercen
muy dentro del corazón.
Soñaba que te quería
soñaba que era verdad
que los luceros tenían
misterio para soñar.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.
Abre la puerta niña
y dale paso al amor
mira que destello tiene
esa nube con el sol.
Por la mañana amanece
la vida y una ilsuión
deseos que se retuercen
muy dentro del corazón.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.
Abre la puerta, niña
que el día va a comenzar
se marchan todos los sueños
que pena da despertar.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.





Foi bom ter começado a escutar Triana a partir da homenagem feita por alguns artistas. As gravações atuais são muito bonitas e a qualidade do áudio excelente. Diferente dos álbuns originais. Talvez eu não tivesse me apaixonado tanto pelo grupo se tivesse começado pelas gravações dos anos 70, pois elas lembram muito algumas bandas que meu pai ouvida quando eu era criança e que eu não curtia muito hahahaha! Rock progressivo era, na minha infância, sinônimo de horas de solo de guitarra e bateria durante nossas viagens de carro para o Rio de Janeiro. Além do mais, eu guardo uma certa nostalgia dessa época e sempre acho que nunca nenhum outro grupo irá superar os solos de Pink Floyd, Iron Butterfly, entre outros.

Mas Triana roubou meu coração, assim como o bairro, assim como Sevilla. Cada vez amo mais essa cidade e tudo que diz respeito a ela. E este grupo simplesmente consegue nos transportar no tempo e no espaço. É fantástico imaginar como tudo devia ser incrivelmente apaixonante para os andaluzes no momento em que este trio unia o rock progressivo ao flamenco, interpretando letras maravilhosas, que são pura poesia.



Confesso que passei a semana numa vibe meio estranha. Fiquei meio fixada com o grupo, li tudo sobre a banda, sobre o cantor que faleceu tão precocemente... Deu até tristeza pensar em como o destino é capaz de interromper projetos tão criativos, bonitos e originais como foi esta banda. Mas o legado ficou e isso nos torna pessoas de sorte, pois mesmo passado tanto tempo podemos escutá-los e escutar as lindas regravações de seu trabalho.



Vida longa ao rock andaluz!

Para saber mais sobre Triana, sugiro os seguintes links:

Jesús de la Rosa, el poeta de la calle Feria... 

Triana, una historia

Escucha dos temas inéditos de Triana en exclusiva

El patio, ¿de Triana?

Recordando a Triana

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