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Em casa... (6)

E cá estamos, véspera de Samhain (no Hemisfério Norte) ou, para quem preferir, Halloween... Com o mês de novembro diante de nós, e ainda em casa. 


Quer dizer, há quem já tenha decretado o fim da pandemia por conta própria... mas as pessoas mais cautelosas seguem se cuidando e cuidando umas das outras. De março para cá, minhas saídas são somente para ir até a minha escola de dança e, no máximo, ver minha família, sempre num mega esquema, para diminuir ao máximo os riscos de contágio. Nada de café, nada de museu, nada de ensaios na OF, nada de espetáculos no Teatro, nada de viagens... (¿Hasta cuando?)

Jamais me passou pela cabeça que eu viveria um ano tão nonsense como este de 2020 (já não basta nossa política, que é um teste diário para os nervos). E estou certa de que este sentimento deve ser o mesmo de 99% das pessoas que conheço. Mas, embora a situação seja delicada para todos, cada um de nós a vivenciou de uma forma diferente.

Hoje, pouco mais de um mês após a morte da nossa tia, por Covid, vejo o quanto temos para falar, para nos expressar e para desabafar. A sensação é que este choque de realidade diário acabou não deixando espaço para mais nada. Sabe-se lá quando conseguiremos nos expressar novamente da forma com que estávamos acostumados. O fato é que ainda estamos vivendo esta espécie de pesadelo, sem uma data para terminar. Tempo de resiliência, de paciência e de adaptações (e quantas!). Mas, também, tempo de gratidão, por encontrarmos forças quando mais precisamos. Esta música PERFEITA gravada pelos suecos do The Hives tem uma frase que tem muito a ver com o momento: A war can't be avoided but it can be won...

Vai passar, ainda que não seja agora. Enquanto isso, seguimos com nossa nova rotina, ficando em casa, sentindo a vista piorar por causa de tantas horas em frente a aparelhos eletrônicos, reorganizando as relações de trabalho e as relações pessoas. E com muita saudade! De quem está aqui e não podemos ver como gostaríamos e de quem partiu, infelizmente!

Em casa....(5)

Em tempos de notícias difíceis de digerir, preocupação excessiva e um certo desânimo que às vezes insiste em nos rodear, uma leitura leve e que se molda em nossa cabeça como um filme é uma excelente pedida, não acham? 
Pois bem... há algumas semanas eu devorei em questão de 2 horas e meia "A Leica: uma novela fotográfica". Comecei e não conseguia mais parar. Quando acabou, rolou até uma certa resistência em voltar à realidade...

No flamenco temos uma expressão para algo que nos envolve de uma forma que não conseguimos mais soltar: te engancha. Foi exatamente assim que me senti ao ler este livro, o primeiro escrito por Nick El-moor.

Espero que seja o primeiro de vários outros, pois, a forma como o autor nos conduz nessa história é bem especial e temos a sensação de viajamos tanto no tempo - de volta ao início dos anos 1990 (como não amar?) e no espaço, algo que neste período faz um bem enorme! 

Como não quero dar spoiler da história, deixo aqui a sugestão da leitura e peço que me contem depois o que acharam.

O livro está disponível na Amazon, é só clicar aqui, e o preço é super acessível! 


Espero que gostem da dica! Para embalar a leitura, tem uma playlist preparada pelo próprio autor no Spotify. Super vale a pena acessar!

Deixo aqui uma música que fez parte da minha adolescência, época em que as bandas que estouraram nos anos 80 na Europa chegavam por aqui com algum delay. Elas vinham nas malas das pessoas que tinham a oportunidade de viajar e trazer álbuns e fitas cassetes importadas. O hit é de 1985, mas a lembrança que tenho é do meu pai escutando esta música por volta de 1991, enquanto levava suas filhas adolescentes para o colégio... Saudade da boa!! 


Em casa... (3)

Mais cedo eu lia uma notícia em um jornal local, onde dizia o seguinte: "Presidente voltou a causar aglomeração e afirmou que quem não for idoso ou tiver problemas de saúde 'tem que trabalhar'". Esse ser ignóbil acha realmente que as pessoas estão em casa deitadas numa rede bebendo água de coco?

Eu trabalho da hora em que eu acordo até a hora em que vou dormir para tentar pagar as despesas de uma escola que está fechada simplesmente porque é completamente insano pensar em juntar pessoas para uma aula de dança neste momento. O mesmo vale para tantos outros serviços que estão temporariamente suspensos por uma questão óbvia de saúde pública.

 Estou sentindo na pele o que é precisar retomar as atividades e não poder. Mas tenho informação suficiente para entender que neste momento, a levianidade de uns pode colocar todo um país em risco de colapso.



Sei que tem gente que não entende isso, provavelmente por ignorância. No entanto, ver pessoas minimamente informadas aderirem a essa campanha pela reabertura das atividades tem feito com que eu perca, a cada dia, um pouco mais da minha fé na humanidade.

Hoje me deu uma vontade enorme de escutar Radio Tarifa, um dos grupos que mais amo há mais de duas décadas! Os ouvi pela primeira vez na Espanha, e foi amor à primeira vista. Comprei tudo deles, virei fã de carteirinha... até que o grupo acabou e, depois, para minha tristeza, o cantor Benjamin Escoriza faleceu... Embora eles tenham músicas beeem alegres, esta especialmente melancólica foi a primeira que toquei aqui em casa esta tarde. 


Logo abaixo deixo uma mais animadinha que é para não deixarmos o baixo astral tomar conta de vez. Dias melhores virão. Assim espero. 


Em casa... (1)

Sabe-se lá quantos dias de isolamento social serão necessários para que a nossa vida recobre um mínimo da antiga rotina. Como sinto falta dessa rotina... claro que passados mais de 15 dias em molho em casa, a gente acaba descobrindo uma nova forma de organizar o tempo.

Inicialmente, a preocupação maior era manter a casa limpa. Confesso que faltou pouco para meu TOC voltar. A obsessão com a limpeza, o som da máquina de lavar roupa quase que intermitente, os inúmeros pedidos no supermercado. Até que um dia me dei conta de que temos papel higiênico para muito tempo, muito tempo mesmo... se, por um lado, senti certo alívio por não ter que me preocupar com itens básicos de higiene por algumas boas semanas, por outro, veio aquela tristeza e a pergunta: o que significa isso tudo? Será que nossa vida virou de perna pro ar definitivamente? 

Vocês se deram conta de que todos esses fatos são super recentes, mas a sensação que temos é de que estamos nesse vendaval há uma eternidade? 

Vi esta bandeirinha à venda neste site e amei. Acho que vou encomendar uma!

Não sei se são as preocupações diárias com saúde, com o bem-estar das pessoas que amamos, com as incertezas financeiras, com a tragédia que aguarda aqueles em situação menos favorecida, a nossa política bizarra... mas o fato é que os dias têm parecidos longos, as noites curtas e a sensação de cansaço se tornou uma constante. 

Semana passada me dei conta de que eu voltei da Espanha há tão pouco tempo, mas quase não me lembro dessa viagem, que foi linda, por sinal. Jamais me permiti desfrutar daquele pós-viagem, não tive coragem de ver as fotos, de relembrar os momentos... eu cheguei no dia 8 de março e me lembro que ao entrar no apartamento e ligar o computador para ver as notícias, tive um choque com o aumento súbito do número de casos de Covid-19 em um único dia. Eu pensava: mas eu estava ali há poucas horas e as coisas pareciam dentro da normalidade. Nada indicava que a semana que se iniciava seria tão triste, não somente para a Espanha, mas para muitos outros países. 

O fato é que a gente leva um tempo até perceber a gravidade do problema. Somente quando ele se aproxima muito, muito mesmo, a ficha parece cair. Foi assim quando começou essa crise, na China... muita gente duvidava que ela chegaria até o Brasil. E vejam só, o mundo agora está "unido" por um motivo bem triste: o combate ao novo coronavírus. 

Resolvi retomar os posts aqui no blog, após muitas idas e vindas nos últimos anos. A falta de tempo foi, sem dúvida, o principal motivo pelo qual eu deixei de escrever aqui. Nunca me preocupei se havia alguém lendo o que eu publicava. Este blog, como o próprio nome indica, nada mais é do que uma espécie de diário onde eu registro referências musicais, dicas de artistas e bandas para lembrar depois. Notei que já faz muito tempo desde que eu comecei a publicar aqui e, consequentemente, muitos links já estão quebrados. Uma pena, pois eu salvei aqui músicas que realmente marcaram algum momento da minha vida e adoraria ter esta espécie de diário sempre em mãos para que eu pudesse acessar e escutar. Mas não faz mal. Em tempos de Spotify e Deezer, a gente consegue escutar praticamente tudo com uma busca simples. 

Em todo caso, optei por recomeçar a postar aqui pelo simples motivo de que eu preciso de algumas rotinas que sejam diferentes de limpeza e trabalho (aliás, não está sendo fácil encontrar uma nova rotina para a OF agora com plataforma de ensino a distância, mas pouco a pouco a gente pega o ritmo... na esperança de que voltemos às aulas presenciais em breve!). Se pudermos passar por tudo isso com saúde, paciência, lucidez, dança e boa música, já teremos boas histórias para contar. Minha terapeuta provavelmente sentiria orgulho de mim lendo esta última frase... hahaha

Para encerrar este textão, aí vai uma música que ontem eu escutei repetidas vezes enquanto costurava máscaras de proteção. Sim, isso também foi algo que recentemente entrou na minha rotina... espero que por pouco tempo e que em breve eu volte a fazer bolsas, necessaires e outras coisinhas mais amenas!


Cage The Elephant e nota mental para terminar 2019

Percebi que nas minhas playlists de 2019, Cage The Elephant entrou em quase todas. Eles são demais!!! Aquele tipo de música que é contemporâneo, mas, ao mesmo tempo, nos remete ao som que eu ouvia quando minha maior preocupação era preparar resenhas de livros de sociologia e torcer pro meu carro não morrer quando eu tinha que fazer controle de embreagem saindo da UnB... hehehe

Apesar da saudade dessa época universitária, também me sinto muito feliz e muito grata pela vida de hoje, das pessoas com quem convivo e de tudo que conquistei! Aí vai uma notinha mental para aqueles momentos em que sentimos o passar dos anos e nos apavoramos um pouco...




E agora, vamos ao que interessa... música para alegrar dezembro!!!





Domingo com Adan Jodorowsky

Desde que cheguei de viagem eu não consegui parar um só dia para descansar e ficar em casa sem fazer nada. A exposição que iremos inaugurar em abril está demandando todo o tempo que me resta quando não estou na OF, no Sesc ou no Icab. Mas está ficando linda, simplesmente lindaaaaaa!

Hoje, quando eu vejo tudo que fizemos até aqui com tão pouco apoio... fico imaginando como seria se tivéssemos mais recursos além dessa determinação, coragem e uma vontade enorme de ver as coisas acontecendo! Sério mesmo, estamos muito felizes com o resultado!


Este domingo foi reservado inteiramente para trabalhar nos textos que farão parte da divulgação e descrição das fotografias. Rever essas fotos é uma viagem incrível e não me canso de olhar para elas!

Musiquinha para embalar? Por incrível que pareça, ainda não rolou música andalusí por aqui hoje (vai rolar flamenco, andalusí e tudo a que eu tenho direito, pois o dia será longo!). Desde cedo escutando Adan Jodorowsky, pois recém-descobri este novo álbum e estou encantada!


Espero que gostem também! E espero por vocês na abertura da exposição no dia 12 de abril no Museu Nacional dos Correios aqui em Brasília!

Em tons sépia

Algumas pessoas estão fazendo uma preparação tão minuciosa para os dias de chuva que eles não estão aproveitando o brilho do sol de hoje.
William Feather


Será que sou só eu ou mais gente associa essa época do ano (que em Brasília é seca pra caramba, embora eu ache linda) a tons de sépia, sons de raiz e um bocado de aconchego?


Falando nisso, há poucos dias, encontrei um canal no youtube que publica periodicamente compilações de músicas indie/pop/folk gravadas por artistas independentes. É tudo de bom e, de alguma forma, cai super bem nessas tardes rosadas de setembro. Aí vai uma das seleções disponíveis! 

 

Primal Scream

Hoje fiquei das 6 às 10 horas da manhã tentando entender algumas coisas que li logo cedo.


A escola recebeu um e-mail meio estranho, o qual nos fez parar para pensarmos em como o rancor faz com que pessoas superestimem episódios ocorridos em suas vidas e ruminem isso até não poderem mais. 

Triste, não? A essas pessoas, quando não temos muito como ajudá-las, nos resta desejar que fiquem bem. E seguir em frente, tentando transformar a energia pesada em um pouco de luz, por mais que isso possa doer às vezes.

A parte legal disso tudo é que quando aprendemos a enxergar os desafios como oportunidade para crescermos, a gente acaba agradecendo pela sacudida.

Que possamos continuar nessa vibração, vendo com otimismo o fato de que amamos o que fazemos e, por mais desafiador que isso seja às vezes, a alegria vivida diariamente faz com que as dores de cabeça também valham a pena!


"O que importa não é o que você olha, mas o que você vê." __ Henry David Thoreau

Acreditar é preciso. E escutar Academia da Berlinda também.

Passei alguns dias em um estranho estado de letargia enquanto aguardava algumas confirmações importantes, que impactariam no andar da carruagem durante este primeiro semestre. 

Confesso que quando este sentimento se abate sobre minha pessoa, eu me torno um ser realmente enjoado, pois, enquanto não tenho as respostas que acho que preciso, eu empato a vida de todos ao meu redor. Não me orgulho dessa característica. Talvez este seja um dos meus maiores desafios atualmente. 

Venho tentando fazer um trabalho mental de confiar mais no universo. Afinal, nada está realmente sob nosso controle e, portanto, não adianta sofrer por antecipação. 

O melhor que podemos fazer é estarmos prontos para lidarmos da melhor forma possível com o que quer que aconteça em nossas vidas, embora na prática a gente se embanane um pouco. hehehe!


Em todo caso, a tão aguardada notícia chegou e, desde a semana passada, eu sou só gratidão e alegria. Sei que esse sentimento é algo que devemos cultivar, independente de qualquer coisa, e me esforço, de verdade, para incorporar essa confiança toda no meu dia a dia... só que tem épocas que uma pontinha de medo fica perambulando sobre nossas cabeças e sabemos o quanto nossos pensamentos podem assumir proporções esquisitas.

O post tem como objetivo deixar uma mensagem minha para mim mesma, a fim de que eu recorde, em outras situações parecidas, que acreditar mais na gente e no universo é uma das melhores coisas que podemos fazer para nós mesmos e para aqueles que amamos. Assim, aconteça o que acontecer, a gente sempre saberá lidar com os desafios que a vida nos impõe.

"A mudança, tanto a boa quanto a má, é inevitável, por isso procure não gastar energia tentando evitá-la ou temendo-a. Procure aceitá-la como parte do ciclo natural." (Graham Stones)


Academia da Berlinda foi um dos grupos que eu mais ouvi no início de janeiro. Tinha escutado uma música deles em um programa na Radio Cultura (ou Radio Nacional, não me lembro bem) e fiquei apaixonada. Desses que tem colocar o volume alto, abrir as janelas e deixar o ar entrar. Revigora qualquer pessoa. :) 

Guerreiros, é o que nós somos!

“Guerreiros, é o que nós somos!”

Frase tirada do clássico de Alexandre Dumas, “Os Três Mosqueteiros”, minha nova série do coração, que está disponível na Netflix e é uma delícia de assistir!



Mas, a frase serve também para as pequenas e pequenos empresários neste país. Somos, na minha opinião, todos guerreiros. Como é difícil às vezes lidar com tanta instabilidade, insegurança e baixaria (sim, elas existem, e com muito mais frequência do que muitos podem supor, inclusive vindo de altos escalões de imobiliárias milionárias da cidade)!

Episódios recentes têm nos levado a questionar várias coisas a respeito dos caminhos que traçamos para nossas vidas. Jamais em tom de arrependimento, mas sim, buscando serenidade para tomar decisões importantes e, de preferência, certeiras.

Ainda bem que a experiência de 18 anos de OF nos ensinou que, por mais cansativo que seja ser dono do próprio nariz.... ops, negócio... vale muito a pena quando fazemos aquilo que mais amamos. Que assim seja por muito tempo ainda!

Voltando pra casa com Joe Silhueta

"Ainda resta a esperança quando se dança essa dança
que se dança melhor só..."
Joe Silhueta 


Sábado à tarde, voltando pra casa e pensando na vida, escutei algumas músicas do Joe Silhueta tocando na Rádio Nacional. Super adorei! Uma mistura de Bob Dylan, Cream, America e Raul Seixas. 

Deixo aqui nos Registros para voltar a ouvir outras vezes. 




Um brinde ao novo ciclo... ou...será que teremos playlist?

Hoje cedo, no ápice da minha insônia, descobri duas coisas muito legais!



A primeira delas é um cantor maravilhoso chamado Nick Waterhouse. Confesso, nunca tinha ouvido falar. Estou encantada. Escutando há mais de 12 horas e sem previsão de que eu vá enjoar tão cedo. É exatamente o tipo de música que eu amo! Parece antiga, mas não é! Tipo eu! hahahahaha!

Bom, a segunda coisa, é ainda mais bacana! O site 8tracks.com nos permite montar playlists, como o saudoso Grooveshark! 

Dias desses eu e algumas pessoas comentávamos como essas rádios que nós mesmos podemos ir montando eram legais e fazem muita falta. Pois bem, parece que agora dá para retomar as playlists mensais, com temas que vão mudando conforme a época.

Resolvi preparar essa para testar o tal site... como a primavera começa a dar o ar de sua graça por aqui, já entrei no clima. Estou apaixonada pelo clima em Bsb este ano durante esta época. Está tudo lindo e encantador!

Vai aí uma playlist para embalar as próximas semanas até a chegada da nova estação.


Fecho o post com um pensamento que li há pouco, enquanto fazia uma reflexão sobre esse novo ciclo que começa hoje para mim...

"Procure o que é bom - em você e à sua volta. Pensamento positivo pode não ser uma panaceia, mas é o recurso mais simples de que dispomos para cooperar com a benevolência".  ~ Victoria Moran

Um brinde à nova idade, cheia de saúde, amor, alegrias e certezas! 

O tempo urge


É assustador, mas a gente percebe que está ficando velha quando, entre outras coisas, vê o filho da Cássia Eller lançando CD! hehehehe! A propósito, ele é a cara dela, não acham?


Bom, filosofia barata para início de agosto e de inferno astral... vamos que vamos, pois o tempo urge!

- O que faria se soubesse que tem menos de um minuto de vida?
- Faria cada segundo valer a pena!
~ Contra o tempo (Source Code)

Canned Heat, blues e um sábado à toa

Ontem foi um daqueles aproximadamente 15 sábados do ano em que eu não dou aula. Rotina que se mantém há exatos 18 anos e que eu adoro.

Meu amor à OF é tanto que eu sequer sei como aproveitar as manhãs de sábado quando não estou por lá. Chegamos cedo e ficamos na escola apenas até as 10 horas e depois saímos para resolver algumas coisas. Eu aproveitei para passar na Komboleria, um café da asa norte que vende produtos sem glúten e sem lactose. Tomei um expresso, provei uma fatia de bolo e trouxe pra casa alguns pãezinhos e um maravilhoso chutney de tomate que a vendedora me ofereceu para degustar e que eu amei.

De lá, voltei pra casa, organizei um monte de coisa, comecei a preparar as aulas do curso teórico que teremos esta semana e depois fui ler um pouco. Como eu não consigo ler escutando flamenco, pois eu fico marcando o compasso das músicas e me distraio, eu normalmente gosto de estudar ou passar o dia com um bom livro acompanhada de música clássica, bossa nova ou blues.

Ontem, escolhi blues para embalar a leitura. Me lembrei que eu havia anotado o nome de vários artistas de uma playlist do Song Pop (sim, eu jogo quando tenho tempo e me divirto horrores hehehe!) e lá fui eu selecionar alguns clássicos que desejava escutar. Cannet Heat foi um deles.

Apaixonada pela música On The Road Again, eu devo ter ouvido provavelmente umas 18 vezes de ontem pra hoje. Já até procurei os acordes para tocar no violão! (A propósito, preciso praticar o violão com mais disciplina. É que eu ando tendo um caso de amor com minha máquina de costura e está difícil me manter afastada dela nas horas vagas.)



Resumo da ópera: fazia tempo que eu não tirava um sábado para fazer absolutamente nada importante. Estava precisando. No final do dia ainda deu para ir à uma festinha julina com Lauris, Gus e Lipe. Pena que Moha está viajando. Teria sido ótimo tê-lo por aqui este final de semana! Foi simplesmente leve!

Ah, isso tudo para escrever que, após escutar muito Canned Heat, eu comecei a pesquisar um pouco mais sobre a banda e acabei encontrando este blog sensacional, que merece ser visitado muitas outras vezes! Descobri que um dos líderes da banda faleceu super jovem, aos 27 anos (é ele quem canta neste vídeo abaixo). O outro líder da formação original também faleceu jovem, 11 anos depois, mais ou menos. O mais interessante é que a banda permanece ativa até  hoje e por ela já passaram mais de 40 integrantes!).

O melhor método para viajar? A música.
B.B. King

Bowie, Degrasse Tyson e os vencedores

Hoje acordamos com a triste notícia de que David Bowie, o camaleão que muitos de nós crescemos escutando e talvez jamais imaginássemos que este dia fosse chegar, já não está mais aqui.

Vários portais de notícia publicaram a informação dizendo que o cantor perdeu a batalha contra o câncer. Ora, eu fico muito triste quando leio essas manchetes, afinal de contas, qualquer pessoa que enfrentou esta doença de cabeça erguida já é por si um vencedor, independente de ter sobrevivido ou não.

Não é preciso ser um gênio para lembrar que a morte um dia vai chegar para todos, e nem por isso as pessoas terão fracassado na luta pela vida.

Por que as pessoas dizem que alguém "perdeu a batalha para o câncer", mas não usam a mesma expressão quando se morre de tantas outras doenças diariamente? Quantas vezes lemos em algum jornal que uma pessoa perdeu a luta para o ebola, para o diabetes, para alguma cardiopatia, e por aí vai?

Eu, particularmente, acho isso uma injustiça. Afinal de contas, quem lida com o diagnóstico de  um câncer, bem como seu tratamento, já é por si só uma pessoa merecedora de todos os títulos de coragem e bravura.



Aliás, deveríamos parar de pensar que morrer é perder uma luta. Morrer é parte do ciclo natural da vida, quer a gente goste ou não. Desejar estar aqui para sempre é que é estranho.

Claro que independente da gente reconhecer este fato, é ruim ter que dizer adeus a quem amamos. E é assustador pensar em algo que não sabemos como será, ou seja, o grande mistério que envolve a pergunta: o que acontece depois daqui?

Porém, acredito plenamente que nossa história não encerra com nossa partida. E acredito, realmente, que seguimos uma trajetória, seja retornando a este plano ou não, sempre em direção a algo. Em minha opinião, vamos nos tornando seres melhores. Mas como não temos provas concretas sobre o que ocorre, o assunto também me angustia e por isso evito pensar nele.

O post foi apenas para lamentar a ausência de Bowie e dizer que achei super legal ver tanta homenagem a ele hoje cedo. Até Banksy publicou em seu mural no Facebook a foto de um antigo grafite inspirado em uma das capas de discos mais famosas do rock britânico.


Para encerrar, gostaria de compartilhar novamente este trecho super inspirador de uma entrevista com o astrofísico americano Neil Degrasse Tyson. Vale a pena assistir ao vídeo.

"O conhecimento de que vou morrer é que cria o foco que eu trago estando vivo. A urgência de realização, a necessidade de expressar amor, agora! E não depois. Se você vive para sempre por que sequer sair da cama pela manhã porque você sempre terá o amanhã?"
~ Neil Degrasse Tyson


Qualquer caminho leva a toda parte



QUALQUER CAMINHO LEVA A TODA PARTE
[ Fernando Pessoa ]

Qualquer caminho leva a toda parte.
Qualquer ponto é o centro do infinito.
E por isso, qualquer que seja a arte
De ir ou ficar, do nosso corpo ou ‘spr’rito,
Tudo é ‘stático e morto. Só a ilusão
Tem passado e futuro, e nela erramos.
Não há ‘strada senão na sensação
É só através de nós que caminhamos.

Tenhamos p’ra nós mesmos a verdade
De aceitar a ilusão como real
Sem dar crédito à sua realidade.
E, eternos viajantes, sem ideal
Salvo nunca parar, dentro de nós,
Consigamos a viagem sempre nada
Outros eternamente, e sempre sós;
Nossa própria viagem é viajante e ‘strada.

Que importa que a verdade da nossa alma
Seja ainda mentira, e nada seja
A sensação, e essa certeza calma
De nada haver, em nós ou fora, seja
Seja inutilmente a nossa consciência?
Faça-se a absurda viagem sem razão,
Porque a única verdade é a consciência
E a consciência é ainda uma ilusão.

E se há nisto um segredo e uma verdade
Os deuses ou destinos que a demonstrem
Do outro lado da realidade,
Ou nunca a mostrem, se nada há que mostrem
O caminho é de âmbito maior
Que a aparência visível do que está fora,
Excede de todos nós o exterior
Não pára como as cousas, nem tem hora.

Ciência? Consciência? Pó que a ‘strada deixa
E é a própria ‘strada, sem ‘strada ser.
É absurda a oração, é absurda a queixa.
Resignar(- se) é tão falso como ter.
Coexistir? Com quem, se estamos sós?
Quem sabe? Sabe o que é ou quem são?
Quantos cabemos dentro de nós?
Ir é ser. Não parar é ter razão.

11-10-1919

******

Talvez esta música já tenha passado por aqui, mas hoje a escutei e um turbilhão de coisas me vieram à mente. Não sei se pela música ou pelo que eu estava fazendo no momento.


Despretensiosamente

Despretensiosamente, deixo aqui uma brevíssima reflexão sobre a vida em sociedade.


As pessoas tem sérios problemas para expressar suas opiniões.
As pessoas desejam a paz, mas destilam ódio e preconceito por meio de suas palavras e atitudes.
Colocar-se no lugar do outro parece ser algo que o ser humano desaprendeu.
Ao que tudo indica, quanto maior o medo, inversamente proporcional é a razão.
O mesmo vale para o bom senso. Este "filtro" parece ter sido desativado por boa parte das pessoas.
A imprensa elege quais sofrimentos são merecedores de cobertura em tempo real, embora todos eles sejam trágicos e lamentáveis.
A violência gera sim mais violência.
Parte considerável das mazelas do mundo é resultante de atitudes políticas desastrosas de longuíssima data, além de ciclos intermináveis de sofrimento e ódio que se retroalimentam por vias distintas, entre elas, fissuras sociais, jogos de poder, disputas geopolíticas etc.
Mas ainda assim parece ser mais cômodo acreditar que a "barbárie" existe graças às diferenças religiosas. Estranho vivermos em um mundo tão complexo cercados por gente com um pensamento muitas vezes tão linear, não?

 

Paixão de novembro, dias secos e planos em curso


E eis que enquanto a chuva não vem, a gente vive uma primavera atípica na capital federal. E não é que novembro acabou rendendo uma nova paixão musical? Lord Huron embalando planos em curso e novos projetos. Bons ventos soprando, após um inverno um tanto quanto exaustivo.

"O veneno da intriga, com seus deploráveis malefícios, passa bem longe de mim. É princípio entre os siameses. Todas as minhas ações são inspiradas pela sinceridade dos meus propósitos e pela gratidão que devo aos que me tratam bem." ~ Malba Tahan (Novas Lendas Orientais, p. 160)











Planos para o feriado

Planos para o feriado: tocar violão *-*
Pequena lista de coisas para fazer no feriado...

Ler, ler, ler (ainda com uma pilha de livros de flamenco para colocar em dia). 
Escutar Renato Godá enquanto preparo alguma receita nova. 
Praticar os novos exercícios de violão (literalmente apaixonada). 
Corujar minha sobrinha (simplesmente o ser mais lindo que eu já vi na vida). 
Curtir o trio felino maravilha. 

Não necessariamente nessa mesma ordem...

A vida pode ser mágica mesmo nos momentos mais simples.









Deixar ir ao som de Nouvelle Vague

Dejar ir es aceptar tu historia, pero no tu destino. 

Adorei essa frase que li esta tarde. Apareceu para mim no feed de notícias do (nem tão) bom e velho FB em uma página que eu curti há alguns meses chamada La Mente es Maravillosa. A frase é uma chamada para um texto que fala sobre aceitarmos o fato de que pessoas e acontecimentos importantes para nós não precisam fazer parte da nossa vida para sempre. E nem por isso devemos transformar isso em motivo de sofrimento ou desequilíbrio interior, como muitas vezes acontece.


Eu, particularmente (e felizmente), aprendi isso durante meu retorno de saturno (leia-se, entre 28 e 29 anos). Mas o lado maravilhoso de tudo isso é que aprendi a valorizar cada minuto ao lado de pessoas queridas e fundamentais para mim, ciente de que tempo de convivência não é medidor do quão relevantes são certos episódios e/ou relacionamentos em nossa vida.

E assim tudo fica mais leve. Pelo menos para mim.

Sei que tem gente que sofre pacas com a ansiedade gerada pela menor possibilidade de rompimento ou afastamento. E eu mesma, já me peguei em situações bem pontuais ocorridas nos últimos anos envolta nesse tipo de vibe, a qual aprendi a reconhecer e driblar. Ufa! (afinal, já são tantas outras preocupações que ainda tenho que descobrir como lidar nessa vida... mas vamos aprendendo, sempre)

Por isso deixo aqui o link para o texto.

Não é longo.

Dá para ler ao som de Nouvelle Vague e ainda sobra música para ir fazer um café e navegar um pouco na internet. Ou, quem sabe, mandar uma mensagem amável e que irá fazer toda diferença no dia de alguém realmente importante para você? :)

Dejar ir nunca es fácil. Requiere valentía y un convencimiento pleno y seguro de que desprendernos de esa relación, de esa amistad o de esa situación, es algo vital para nuestro equilibrio y felicidad.Saber reconocer la necesidad de cerrar un ciclo es ya de por si un acto de madurez. No obstante, del reconocimiento al acto hay un paso muy duro cargado de tristezas, y de un duelo personal que superar.Dejar ir supone supone en la mayoría de los casos tener que “reconstruirnos”, tener que replantearnos a nosotros mismos, y en muchas ocasiones, incluso partir de cero.Ahora bien, también hemos de tener en cuenta que mucha gente no termina de asumir  y afrontar de forma correcta el fin de un ciclo, de una etapa.Hay quien piensa que dar por finalizada una relación es el punto final a su propia vida. Tras ese adiós y esa separación, ya no hay nada más. Dejar ir es ese acto del destino que echa el telón a su vida afectiva.Debemos tener cuidado con este tipo de pensamientos y actitudes derrotistas. Después de un punto final viene un espacio, y con él, nuevos senderos y oportunidades para ser feliz tal y como nosotros deseamos.
Hoy queremos invitarte a reflexionar sobre ello.

Leia o texto completo aqui:  Dejar ir es aceptar tu historia, pero no tu destino

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