Mostrando postagens com marcador Flamenco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Flamenco. Mostrar todas as postagens

Em casa... (4)

Viajar sem sair de casa... este tem sido um dos programas feitos por muita gente durante os dias de isolamento social...


O corre corre com as gravações das aulas a distância da OF tem sido tão intenso que mal sobra tempo para um episódio de alguma série na Netflix ao final do dia. Mas, hoje eu me permiti fazer duas coisas que até então não havia feito: assistir a duas lives e passear virtualmente por um museu que já conheço, mas que não me canso de visitar. Ou seja, eu poderia dizer que tive um domingo repleto de coisas boas, especialmente porque pela manhã pude curtir minhas família um pouquinho,  com máscara, álcool gel e uma distância boa de cada um deles... mas foi um presente que acabamos nos dando...

As lives foram bem diferentes. Na parte da tarde, o Mosteiro de São Bento em SP exibiu alguns cantos ao vivo pelo Instagram. Mais de 8 mil pessoas assistindo! E lá estava Patrícia em sua primeira live da quarentena! Adorei! No final da tarde, Alceu Valença pelo YouTube! Bom demais! Estava precisando!

Agora à noite, descobri um link suuuuuper legal que não é exatamente o Museo de Bellas Artes de Sevilla, mas é um blog que comenta quadro por quadro do museu, seguindo o que seria uma visita que começa no térreo e vai até o andar de cima, que é o meu favorito, pois em um dos seus cantos está a sala de pinturas costumbristas, minha paixão!

Deixo aqui o link porque quem gosta de museus, da Andalucía, de Sevilla, de história e de tantas outras coisas, certamente vai amar. 

Para conhecer os quadros, um a um, acesse: http://leyendasdesevilla.blogspot.com/2011/08/el-museo-de-bellas-artes-de-sevilla-y.html

Além do link, vou deixar também algumas fotos que fiz há menos de dois meses, quando estava por lá e me despedi do museu com um até breve, pois jurava que voltaria a Sevilla em julho deste ano, no nosso Circuito Andaluzia, que estamos organizando.






Sabemos que com toda essa pandemia, impossível estarmos lá tão cedo. Porém, a viagem será apenas adiada, pois temos a esperança de levarmos o grupo (ou a parte dele) a este passeio maravilhoso que foi planejado com tanto amor, tanta pesquisa e tanta dedicação. Fico feliz cada vez que uma aluna me manda mensagem dizendo que estará na viagem, aconteça quando acontecer!

Me alegro, não pela viagem em si, pois eu espero continuar indo muitas outras vezes, independente do circuito. Mas minha alegria é em saber que essas pessoas terão uma experiência duplamente inesquecível: visitar a Andaluzia numa viagem preparada da forma que esta está sendo organizada, e viver tudo isso após meses de muita angústia e preocupação. Acredito que tudo terá um significado ainda mais especial! E me alegro porque estaremos juntas para viver isso!

Então, já que escrevi muito... aí vai um álbum para acompanhar a visita ao Museo de Bellas Artes de Sevilla. Escolhi um guitarrista sevillano para embalar nosso passeio. O maravilhoso Rafael Riqueni. 

Espero que gostem! Este post foi preparado com um amor enorme, vocês não fazem ideia!

Em casa... (3)

Mais cedo eu lia uma notícia em um jornal local, onde dizia o seguinte: "Presidente voltou a causar aglomeração e afirmou que quem não for idoso ou tiver problemas de saúde 'tem que trabalhar'". Esse ser ignóbil acha realmente que as pessoas estão em casa deitadas numa rede bebendo água de coco?

Eu trabalho da hora em que eu acordo até a hora em que vou dormir para tentar pagar as despesas de uma escola que está fechada simplesmente porque é completamente insano pensar em juntar pessoas para uma aula de dança neste momento. O mesmo vale para tantos outros serviços que estão temporariamente suspensos por uma questão óbvia de saúde pública.

 Estou sentindo na pele o que é precisar retomar as atividades e não poder. Mas tenho informação suficiente para entender que neste momento, a levianidade de uns pode colocar todo um país em risco de colapso.



Sei que tem gente que não entende isso, provavelmente por ignorância. No entanto, ver pessoas minimamente informadas aderirem a essa campanha pela reabertura das atividades tem feito com que eu perca, a cada dia, um pouco mais da minha fé na humanidade.

Hoje me deu uma vontade enorme de escutar Radio Tarifa, um dos grupos que mais amo há mais de duas décadas! Os ouvi pela primeira vez na Espanha, e foi amor à primeira vista. Comprei tudo deles, virei fã de carteirinha... até que o grupo acabou e, depois, para minha tristeza, o cantor Benjamin Escoriza faleceu... Embora eles tenham músicas beeem alegres, esta especialmente melancólica foi a primeira que toquei aqui em casa esta tarde. 


Logo abaixo deixo uma mais animadinha que é para não deixarmos o baixo astral tomar conta de vez. Dias melhores virão. Assim espero. 


Danza el aire

Agosto passou voando e não consegui escolher sequer uma música para postar aqui...

Os projetos vão se concretizando bem lentamente, mas o curioso é que as coisas têm acontecido quase que simultaneamente e, por isso, a impressão de que tá tudo corrido. Mas tá ótimo! Oxalá até o final do ano tenhamos mais boas surpresas para celebrar! 


Enquanto esperamos para colher alguns frutos, musiquinha linda para celebrar a primavera que está quaaaaase aí! Ja já chuvinha para anunciar a chegada da estação mais linda! 

Vamos a vivir la vida como si fuera un momento, tú y yo y tú...
    

Pedro Iturralde y Paco de Lucía...ou, ¡Anda Jaleo! para escutar 10 vezes seguidas!

Hoje é o dia internacional do Jazz. Confesso que este está longe de ser o estilo musical que mais costumo ouvir, mas quando encontro fusões como esta meu coração palpita!

Descrição do vídeo no youtube (como não se encantar?)

En España, en los años 60, se comenzó a experimentar con la mezcla entre jazz y flamenco de la mano de Pedro Iturralde. Un saxofonista de jazz que se familiarizó con el flamenco escuchando en la radio al guitarrista pamplonés Sabicas. Lo que empezó como una primera experimentación, terminó por concretarse años depués en Berlín, cuando Joachim E. Berendt convocó a Pedro Iturralde junco con un jovencísimo Paco de Lucía grabando en julio de 1967 el disco Jazz Flamenco, en el que por primera vez aparece esta fusión en España.


Aproveitei a tarde de sábado para ler, descansar e ouvir música. Semana que vem começam os ensaios e a correria toma conta até final de junho. Embora seja uma época cansativa, esta é das que mais adoro ao longo do ano: estar no trabalho dos sonhos de segunda a segunda é um privilégio e, por isso, agradeço todos os dias! Além disso, Brasília fica linda, ou melhor, maravilhosa! As chuvas cessam, as noites de céu azul são perfeitas, tudo é um encanto.



Em tempos de tensão na nossa política, nervos à flor da pele e gente perdendo a calma, um pouco de natureza, ar puro e fones de ouvido com música boa sintonizada fazem um bem danado!

Que o mês de maio traga coisas boas e motivos para celebrar! Ou que, ao menos, a música reaproxime aqueles que se gostam, mas que estão deixando certas diferenças gritarem (bem) mais alto. 

Como bem escreveu o mexicano Octavio Paz, "a vida é pluralidade".




Como faz?




Como faz quando o corpo está num lugar e a cabeça em outro? 

Normalmente, o amor pela Espanha faz com que este sentimento perdure o ano inteiro... não que a vida aqui não seja boa. Na verdade, é maravilhosa! Mas a nostalgia de tudo lindo que vivemos ali parece só crescer com o passar dos anos. 

Ao todo, de 1997 pra cá, já foram quase 20 idas à essa terra que tanto amo... pensem o investimento financeiro que isso demanda! E pessoal! E profissional! Muita gente não entende. De verdade. 

Me lembro que, ao pedir para meu avô ser fiador da sala que eu alugaria quando decidi criar a OF, sem muita pretensão, ele me falou: "Mas, dança, minha neta? Você é capaz de muito mais!" 

Eu sei que ele só estava preocupado com meu futuro... afinal de contas, viver no Brasil é viver preocupando-se com o dia de amanhã, a não ser que você tenha uma estabilidade como a dos servidores públicos. Do contrário, tudo pode acontecer. 

Confesso que muitas vezes ao longo desses anos pensei e repensei minhas escolhas... especialmente quando recebi reconhecimentos, propostas e convites quase que irrecusáveis para atuar no campo de pesquisa em sociologia, que é minha formação acadêmica. Não tem sido fácil abrir mão de algumas coisas em prol do flamenco.

Mas o amor é tanto, é tanto, que não consigo me ver longe do flamenco, da Espanha e de tudo o que envolve essa forma de viver, custe o que custar. 

Até quando? Não faço ideia... mas no momento, tudo o que sei é que o corpo está aqui, a cabeça está lá e o coração está nos dois lugares. Pois, embora eu ame ir para lá, também amo as pessoas com quem convivo aqui, e não me imagino longe delas. 

Acho que essa pergunta que fiz no início do post é retórica e não me levará a lugar algum... Ao menos por enquanto. 

Que tenhamos coragem de seguir nossos sonhos, força para enfrentar as consequências, amor para apaziguar o coração quando tudo parecer difícil e saúde para poder seguir trabalhando com o que tanto nos traz felicidade! 

Um dos maiores sinais de que sou imensamente realizada com o que faço é a alegria que sinto aos domingos quando lembro que às segundas eu dou aula! 


Um brinde ao flamenco, a quem devo tanto! E a Jerez, para onde irei dentro de alguns dias, para voltar, se Deus quiser, cheia de aprendizado e gratidão! E que o universo me permita seguir viajando para lá para beber dessa fonte inesgotável, como tenho feito até agora! 

Verde que te quero...

Esta foi a música da semana. A escutamos (e cantamos) todos os dias nas aulas do curso Especial Tertúlia Flamenca. 

Na verdade, a escolha se deu por motivos bem concretos. A pessoa aqui está tentando aprender a tocar violão. Mesmo tendo assistido a poucas aulas, estou apaixonada e, pouco a pouco, a insegurança por ser canhota e achar que jamais conseguiria tocar o dito instrumento vai diminuindo. 

Recentemente, comecei a praticar uma batida bastante utilizada nas rumbas gitanas. Mas como ainda toco devagar, fiquei procurando uma rumbinha beeeem lenta para praticar. Eis que me lembro dessa enquanto preparava o conteúdo do intensivo que estou dando esta semana.

Arte: João Lauro Fonte
Voilá! Com letra e tudo, as alunas estão animadas para tentarmos (só tentarmos meeesssmo) ter música ao vivo no encerramento do curso! 

Claro que a Ana será o violão principal! hahaha! Mas estou me empenhando para acompanhar decentemente!

No mais, só posso afirmar que estou amando esta semana de intensivos na OF! Estamos nos divertindo muito e, mesmo cansada fisicamente (essa "ressaca" pós-espetáculo é punk), me sinto muito grata por poder fazer o que mais amo. 


Viajo na próxima semana, mas já pensando nos cursos que darei quando voltar. Sinto uma falta danada quando não estou na escola. 

O beijo libanês, o bolo amarelo e o outubro rosa



Esta música, aqui interpretada pela talentosa Montse Cortés acompanhada por Javier Limón, é uma famosa música (Bint Al Shalabia para uns, Kamtar zan shane para outros) já gravada por dezenas de artistas (seja apenas instrumental, cantada em árabe ou em outro idioma). É, digamos, um clássico da música oriental.

A escolhi porque, além de linda, é leve, tem um quê de feminina e achei que combinaria bem para abrir o mês de outubro, conhecido pela importante campanha de combate ao câncer de mama, e também para aproveitar o pretexto do título e passar a receita de um bolo tipicamente libanês que eu preparei para um encontro que tivemos na minha escola de dança semana passada e que agradou a muita gente!





Fiquei especialmente feliz porque o Sfouf (nome do bolo, em árabe), além de remeter às minhas origens, pode ser veganizado - assim como na receita que eu costumo preparar. Basta trocar o leite de vaca por qualquer outro leite vegetal. Eu já testei com leite de soja, de aveia, de arroz e de amêndoas. Sempre dá certo, embora o preparo com leite de soja exige que o bolo fique beeeeem assado para evitar que ele azede antes do tempo. Vide passo a passo ao final do post. 

Sobre a música, uma última informação. Ela faz parte do álbum Mujeres de Agua, produzido pelo próprio Javier Limón e é um tributo lindo de viver às mulheres iranianas que são proibidas de cantar em público e gravar discos. Mas tenho certeza de que um dia isso tudo muda! As pequenas grandes conquistas são celebradas por mulheres em todo o mundo, cada qual em intensidades diferentes, mas igualmente importantes.

Já que não dá para fazer um bolo ouvindo apenas uma única música, escolhi outras duas do mesmo álbum! Lindas, não?




Vamos à receita?

Sfouf 
(bolo libanês feito à base de cúrcuma)



Pre-aqueça o forno a 180ºC.

Em uma vasilha, misturar (primeiro os secos, depois acrescentar os ingredientes molhados):

- 300 g de farinha de trigo
- 100 g de semolina
- 225 g de açúcar
- 1 colher chá de cúrcuma (também conhecida como açafrão da terra, vende em qualquer supermercado, na prateleira de temperos)
- 2 colheres chá de fermento em pó
- 1 xícara e 1/2 de leite vegetal (pode usar um pouco menos e, se achar que a consistência está muito grossa, adicionar o restante paulatinamente)
- 1/3 xícara de óleo vegetal

Observações:
- há quem adicione mais cúrcuma à receita, vai do gosto de cada um.
- a maior parte das receitas que eu pesquisei incluem a erva-doce na massa (outra opção é aromatizar o leite com a erva doce e depois usá-lo na receita). Como eu não sou fã de erva-doce, eu faço o meu bolo sem.
- pode usar o leite de vaca normal, mas é que eu não compro aqui em casa.

Preparo:

Mexer com uma colher grande até a mistura ficar bastante homogênea. Passar a mistura para um tabuleiro untado e enfarinhado (as receitas originais sugerem untar com tahine e não enfarinham. Como eu uso um tabuleiro redondo de ferro fundido e esmaltado, eu não unto nem enfarinho). Como decoração, pode-se utilizar amêndoas sem pele, amêndoas em lasca, snoubar ou gergelim.

Levar para assar por aproximadamente 20 a 25 minutos, dependendo do forno.

Retirar do forno quando ele estiver bem moreninho por cima e, ao enfiar um garfo ou palito no centro do bolo, perceber que ele está sequinho.

Deixar esfriar antes de cortar (super importante para que ele não quebre). O formato do corte é aquele em losangos como na foto.


Esta foi o primeiro sfouf que eu fiz.
No dia em que preparei não tinha amêndoas, então usei gergelim por cima.





Sobre aquilo que nos cansa... ou nos move.

"Muitas pessoas pensam que estão a pensar quando estão apenas a re-arrumar os seus preconceitos." ~ William James

As redes sociais são uma coisa engraçada. Dependendo das pessoas a quem estamos, de alguma forma, conectadas, a gente já sabe que alguns assuntos vão aparecer em meio as nossas notificações até não aguentarmos mais. Nos últimos 12 meses, os "trending topics" foram desde médicos cubanos, eleições, PT e manifestações até a alta do dólar, Festival de Jerez e refugiados sírios, na última semana.

Já houve época em que me aborreci com grosserias, manifestações de ignorância, intolerância, cinismo, provocação e preconceito destilado por conhecid@s e amig@s. No último grupo, a situação é um pouquinho mais delicada, pois normalmente a estima que temos pelas pessoas é tamanha que preferimos fingir que não lemos certas coisas para não perdermos parte do afeto que nos une. 

No caso das pessoas conhecidas, confesso que não tenho mais energia para ficar escrevendo, argumentando, lendo e respondendo... gosto do debate, acho que a gente sempre cresce de alguma forma. Mas é que tá faltando tempo, de verdade. E o tempo tenho investido com muito carinho para aproveitar as pessoas que realmente são centrais na minha vida, e para tudo que é importante para mim. 

Bem, esses assuntos que começam a ser comentados e analisados por todos nas redes sociais acabam, infelizmente, tornando-se meio cansativos e acabo perdendo o interesse em acompanhar. A sensação que tenho é algumas pessoas tornam-se realmente obcecadas e perturbadas com algumas informações. Não se trata dos temas em si, mas sim da descompensação alheia. Porque nada melhor do que um tema polêmico para conhecermos o lado mais cansativo de uma pessoa, né?

E eis que hoje cedo, eu quaaaaaaase parei para fazer um post no meu mural do FB, sobre o assunto. Li algumas declarações bem preconceituosas de algumas pessoas conhecidas sobre um determinado episódio e fiquei pensando: essas pessoas são inteligentes, bacanas, esclarecidas... por que elas atingiram esse grau de intolerância? E lá estava Patrs tentando encontrar essa resposta. E, claro, a resposta não veio. 

Veio sim, a forte lembrança das minhas motivações de quando entrei no doutorado, minhas inquietações... e percebi que elas continuam aqui. E, na verdade, bateu uma puta saudade do doutorado. Ou talvez um desejo enorme de seguir investigando o tema que me fez candidatar-me à seleção da pós em sociologia.

Pois bem, passei o dia com o assunto na cabeça: as pessoas, a intolerância, o doutorado.... e a vontade de seguir pesquisando. E então à tarde, aproveitei para reler meu antigo projeto, algumas anotações e vi que ainda tenho muita coisa para estudar. E que eu realmente gostaria de pesquisar.

Continuo fascinada pela Escola de Chicago, pela fenomenologia, pelo interacionismo simbólico, pela forma como, a partir dali, podemos chegar na teoria das representações sociais...

Encontrei umas anotações que havia feito há cerca de 3 anos e, entre elas, essa frase de William James com a qual abri o post. Resolvi anotar nos Registros para que eu não perca esse desejo de vista. E que continue animada com alguns projetos que estão guardados na gaveta e que eu gostaria de retomar.

A vida passa muito rápido para ignorarmos aquilo que nos move. Aliás, a vida passa muito rápido para não aproveitarmos nosso precioso tempo estando com quem amamos e fazendo o que nos faz bem.

E assim terminei meu lindo feriado: com uma paz no coração por ter tomado a decisão certa hoje cedo, em ignorar algumas bobagens que andei lendo, por ter dito às pessoas importantes algumas das palavras de carinho que elas merecem ouvir sempre, por ter finalmente tomado a decisão de aprender a tocar violão (pasmem!), por ter acertado na receita do delicioso ratatouille que preparei no almoço, por ter escutado flamenco bem alto enquanto cozinhava, por ter estado exatamente onde eu desejava estar. Em casa.


Aqui está a prova de que boa música e um feriado supimpa fazem milagres na cozinha!

E, por fim, uma das músicas que rolaram por aqui este 7 de setembro! Eu sei que tinha que ter sido algo mais nacional, mas é que me empolguei com uma playlist jerezana que tenho aqui! 

A difícil arte de ser simples

Esta manhã encontrei entre os links salvos nos "favoritos" do navegador um texto super interessante a respeito da difícil arte de ser simples. Já havia lido uma vez, gostei e salvei. E me esqueci completamente do texto. Hoje, reli. E, sinceramente, me identifico cada dia mais com essa filosofia de vida. Coloco aqui como registro para não deixá-lo para trás outra vez.



Possivelmente, a arte da simplicidade seja a conquista mais difícil para o indivíduo, pois exige naturalidade e uma boa dose de pureza espiritual na forma como ele se relaciona consigo mesmo e com o mundo à sua volta. ~ Flávio Bastos 

Para embalar a leitura, fica registrada também esta lindíssima versão para Lua Branca, interpretada por Chano Domínguez y Niño Josele, duas feras que também deixaram suas marcas indeléveis no flamenco. Só fiquei triste porque no final, ao comentarem sobre a música, eles se embananaram e atribuíram a autoria a Pixinguinha e não à sua verdadeira compositora, Chiquinha Gonzaga.... Alguém bem que poderia dar um toque, né?



Oh, lua branca de fulgores e de encanto
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto

Ai, vem matar essa paixão que anda comigo
Oh, por quem és desce do céu, oh lua branca
Essa amargura do meu peito, oh, vem, arranca

Dá-me o luar de tua compaixão
Oh, vem, por Deus, iluminar meu coração
E quantas vezes lá no céu me aparecias

A brilhar em noite calma e constelada
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada

E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim

Recordando a Triana

Em julho de 2014, após me dar de presente uma viagem de curta duração à Sevilla, onde tive a oportunidade de rever pessoas queridas, fazer aula com a fofíssima Leonor Leal e comprar muitos livros e discos de flamenco, voltei pra casa com mais um regalito: um álbum gravado em homenagem ao lendário grupo Triana, um dos precursores do rock andaluz e que fez muito sucesso nos anos 1970 e início dos anos 80.

Coração feliz na Alameda de Hércules...
Saudade define... 

Infelizmente, o grupo, que bebia de diversas fontes, entre elas, o flamenco, a poesia e o rock progressivo da época, teve sua trajetória bruscamente interrompida após a morte trágica de Jesús de la Rosa, seu cantor, tecladista e autor de grande parte do repertório do Triana, que não sobreviveu aos graves ferimentos provocados por um acidente de carro em outubro de 1983.

Desde que vou a Sevilla, escuto falar de Triana - não o bairro, o grupo. Mas nunca tive curiosidade de escutar, pois, embora soubesse que algumas das letras cantadas por Manuel Molina haviam sido escritas em parceria com Jesús de la Rosa, o rock progressivo não me empolga muito.



Capa do disco que eu trouxe em 2014, inspirada
na capa do álbum de lançamento da banda, nos anos 70

Porém, esta semana resolvi finalmente abrir o lindo CD gravado em homenagem ao grupo, que trouxe de Sevilla ano passado. Coloquei no som do carro, para ir ouvindo em doses homeopáticas.

Por fim, não apenas escutei o disco inteiro todos os dias, de segunda a sexta, como já tenho minhas músicas favoritas do coração. O que é a cantaora Argentina interpretando Abre la Puerta????

Yo quise subir al cielo para ver
y bajar hasta el infierno
para comprender
qué motivo es
que nos impide ver
dentro de tí
dentro de mí.
Abre la puerta, niña
que el día va a comenzar
se marchan todos los sueños
qué pena da despertar.
Por la mañana amanece
la vida y una ilusión
deseos que se retuercen
muy dentro del corazón.
Soñaba que te quería
soñaba que era verdad
que los luceros tenían
misterio para soñar.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.
Abre la puerta niña
y dale paso al amor
mira que destello tiene
esa nube con el sol.
Por la mañana amanece
la vida y una ilsuión
deseos que se retuercen
muy dentro del corazón.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.
Abre la puerta, niña
que el día va a comenzar
se marchan todos los sueños
que pena da despertar.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.





Foi bom ter começado a escutar Triana a partir da homenagem feita por alguns artistas. As gravações atuais são muito bonitas e a qualidade do áudio excelente. Diferente dos álbuns originais. Talvez eu não tivesse me apaixonado tanto pelo grupo se tivesse começado pelas gravações dos anos 70, pois elas lembram muito algumas bandas que meu pai ouvida quando eu era criança e que eu não curtia muito hahahaha! Rock progressivo era, na minha infância, sinônimo de horas de solo de guitarra e bateria durante nossas viagens de carro para o Rio de Janeiro. Além do mais, eu guardo uma certa nostalgia dessa época e sempre acho que nunca nenhum outro grupo irá superar os solos de Pink Floyd, Iron Butterfly, entre outros.

Mas Triana roubou meu coração, assim como o bairro, assim como Sevilla. Cada vez amo mais essa cidade e tudo que diz respeito a ela. E este grupo simplesmente consegue nos transportar no tempo e no espaço. É fantástico imaginar como tudo devia ser incrivelmente apaixonante para os andaluzes no momento em que este trio unia o rock progressivo ao flamenco, interpretando letras maravilhosas, que são pura poesia.



Confesso que passei a semana numa vibe meio estranha. Fiquei meio fixada com o grupo, li tudo sobre a banda, sobre o cantor que faleceu tão precocemente... Deu até tristeza pensar em como o destino é capaz de interromper projetos tão criativos, bonitos e originais como foi esta banda. Mas o legado ficou e isso nos torna pessoas de sorte, pois mesmo passado tanto tempo podemos escutá-los e escutar as lindas regravações de seu trabalho.



Vida longa ao rock andaluz!

Para saber mais sobre Triana, sugiro os seguintes links:

Jesús de la Rosa, el poeta de la calle Feria... 

Triana, una historia

Escucha dos temas inéditos de Triana en exclusiva

El patio, ¿de Triana?

Recordando a Triana

Flamenco, nostalgia e o entre-lugar



Esta época do ano, o coração aperta mais e eu já descobri por quê: é quando preparamos o espetáculo da escola e acessamos com muito mais frequência o material que trazemos a cada viagem à Andaluzia ~ livros, vídeos, cds, fotos, registros de todos os dias...

E essas recordações, somadas ao fato de que provavelmente só estaremos ali novamente no ano seguinte (Oxalá!), fazem com que a nostalgia tome conta em alguns momentos.

Nessas horas, lembro sempre do conceito de "entre-lugar", cunhado por Homi Bhabha, e sinto que alguma forma esta é a sina de todas as pessoas que escolheram este caminho: viver o flamenco em um local onde ele é considerado por muitos um simples bem de troca, enquanto espera pela chance de estar novamente no local onde é possível mergulhar nessa cultura de outra forma (ainda que em muitas ocasiões nossa presença mude sobremaneira a "idealizada" espontaneidade desta manifestação cultural e artística).

O preço que se paga por este amor é altíssimo, na vida pessoal, financeira e profissional. Mas enquanto a alegria em estar lá continuar me motivando a seguir em frente, não passa pela minha cabeça mudar os planos das próximas viagens. 


En tu silencio ~ José Mercé y Vicente Amigo por Soleá

Yo se que ya no soy
como yo era
y pasaran los años
y seguire a tu vera
que ya no soy
como yo era

Plaza de Santamarina
dia de frio en mi garganta
un capote esta abrigando
las cuerdas de mi guitarra

La serenidad que busco
es serenidad que encuentro
cuando me abrazo a tu voz
y me pierdo en tu silencio

Está tudo bem ~ Labess



Labess, que em árabe magrebino significa "está tudo bem", é um grupo canadense formado por Nedjim Bouizzoul, um músico de origem argelina. Eles mesclam estilos que que eu adoro: Chaabi, rumba gitana e outras coisinhas mais... O resultado só poderia ser lindo. :)

Perfeito para encerrar um mês que não foi fácil, embora tenha sido muito bom.

E lá vamos nós encarar os 2/3 do ano que ainda faltam. Pois, afinal de contas, está tudo bem!







Cariñosa

Linda homenagem de Estrella Morente a Pixinguinha com esta versão apaixonante para Carinhoso.... O álbum Amar en Paz, recém lançado pela cantaora, está recheado de clássicos da nossa música brasileira e os arranjos feitos por Niño Josele são de arrepiar.



 

Carinhoso (Pixinguinha)

Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim foges de mim

Ah, se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz

Urgentemente

É o que temos para hoje... poesia portuguesa, muito trabalho e uma das músicas mais lindas gravadas pelo guitarrista espanhol Vicente Amigo. ♥



Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
é urgente destruir certas palavras.
odio, solidão e crueldade,
alguns lamentos
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade (pseudônimo de José Fontinhas, poeta português)


Son de la Frontera, Fragole Infinite e difícil ato de se concentrar em uma tarde de domingo...

Palmas flamencas (dobradas) para a pessoa que consegue se concentrar em qualquer coisa num domingo à tarde. Para mim é uma tarefa simplesmente impossível. E o pior: a falta de foco tem uma companheira implacável: a culpa.

Bom, enquanto dou uma pausa para o café, não faz mal nenhum sonhar que fui ao Fragole Infinite comer uma das delícias da querida Maribel, em Jerez de la Frontera, e voltei. Uma torta de pera com chocolate seria simplesmente perfeita neste exato momento. Que saudade!


Son de la Frontera para embalar os sonhos... e um pouco da culpa. :)





Ricardo, Enzo e Enrique


Pensando em emoldurar. Não poderia ser mais perfeita para o início dessa semana.

“... Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.” ~ Ricardo Gondim

Desconhecia a participação especial de Enrique Morente neste álbum de Enzo Avitabile. Ficou lindo demais!

 

Misturinha boa


Após dez dias sem publicar nada... uma playlist com 10 musiquinhas que rolaram por aqui essa semana. Música árabe com um toque de guitarra flamenca. Misturinha boa para quem gosta dessas fusões. :) 

 Há sempre uma razão, embora não haja nenhuma explicação. 
~ Adélia Prado

Inténtalo Encontrar

Suavemente Maio se insinua 
Por entre os véus de Abril, o mês cruel 
E lava o ar de anil, alegra a rua 
Alumbra os astros e aproxima o céu. 
~ Vinicius de Moraes


Sim, finalmente chegou o mês de maio! Ou, em outras palavras, adeus, abril! Até o ano que vem! :)

Esta semana eu emprestei o CD da Yasmin Levy para uma querida amiga e ela, assim como eu, também se encantou com a voz e o lamento dessa talentosa cantora israelense, que bebe diretamente em fontes andaluzas para gravar boa parte de suas canções. Esta música é uma das que eu mais gosto. Abaixo da versão gravada por Yasmin está a original, interpretada pela autora da letra Mayte Martín. Como não amar?

 

Alba Molina


Essa versão ficou fofa, não? Eu e algumas amigas estamos selecionando músicas para quem deseja praticar o espanhol. Então são gravações fáceis de compreendermos as letras... essa cantada por Alba Molina, filha de Lole Montoya e Manuel Molina, é uma delas. Além do mais, é linda! Bom início de semana a tod@s! :)

 

La Locura


A cantora Yasmin Levy nasceu em Jerusalém. Sua obra inclui músicas em ladino, espanhol, hebraico, árabe e turco. Teve dois discos gravados em Madrid em colaboração com o famoso músico e produtor Javier Limón. Às vezes ela arrisca um pouco de flamenco... essa música, em especial, eu não me canso de escutar! ♥♥♥

 

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails