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Em casa... (4)

Viajar sem sair de casa... este tem sido um dos programas feitos por muita gente durante os dias de isolamento social...


O corre corre com as gravações das aulas a distância da OF tem sido tão intenso que mal sobra tempo para um episódio de alguma série na Netflix ao final do dia. Mas, hoje eu me permiti fazer duas coisas que até então não havia feito: assistir a duas lives e passear virtualmente por um museu que já conheço, mas que não me canso de visitar. Ou seja, eu poderia dizer que tive um domingo repleto de coisas boas, especialmente porque pela manhã pude curtir minhas família um pouquinho,  com máscara, álcool gel e uma distância boa de cada um deles... mas foi um presente que acabamos nos dando...

As lives foram bem diferentes. Na parte da tarde, o Mosteiro de São Bento em SP exibiu alguns cantos ao vivo pelo Instagram. Mais de 8 mil pessoas assistindo! E lá estava Patrícia em sua primeira live da quarentena! Adorei! No final da tarde, Alceu Valença pelo YouTube! Bom demais! Estava precisando!

Agora à noite, descobri um link suuuuuper legal que não é exatamente o Museo de Bellas Artes de Sevilla, mas é um blog que comenta quadro por quadro do museu, seguindo o que seria uma visita que começa no térreo e vai até o andar de cima, que é o meu favorito, pois em um dos seus cantos está a sala de pinturas costumbristas, minha paixão!

Deixo aqui o link porque quem gosta de museus, da Andalucía, de Sevilla, de história e de tantas outras coisas, certamente vai amar. 

Para conhecer os quadros, um a um, acesse: http://leyendasdesevilla.blogspot.com/2011/08/el-museo-de-bellas-artes-de-sevilla-y.html

Além do link, vou deixar também algumas fotos que fiz há menos de dois meses, quando estava por lá e me despedi do museu com um até breve, pois jurava que voltaria a Sevilla em julho deste ano, no nosso Circuito Andaluzia, que estamos organizando.






Sabemos que com toda essa pandemia, impossível estarmos lá tão cedo. Porém, a viagem será apenas adiada, pois temos a esperança de levarmos o grupo (ou a parte dele) a este passeio maravilhoso que foi planejado com tanto amor, tanta pesquisa e tanta dedicação. Fico feliz cada vez que uma aluna me manda mensagem dizendo que estará na viagem, aconteça quando acontecer!

Me alegro, não pela viagem em si, pois eu espero continuar indo muitas outras vezes, independente do circuito. Mas minha alegria é em saber que essas pessoas terão uma experiência duplamente inesquecível: visitar a Andaluzia numa viagem preparada da forma que esta está sendo organizada, e viver tudo isso após meses de muita angústia e preocupação. Acredito que tudo terá um significado ainda mais especial! E me alegro porque estaremos juntas para viver isso!

Então, já que escrevi muito... aí vai um álbum para acompanhar a visita ao Museo de Bellas Artes de Sevilla. Escolhi um guitarrista sevillano para embalar nosso passeio. O maravilhoso Rafael Riqueni. 

Espero que gostem! Este post foi preparado com um amor enorme, vocês não fazem ideia!

La Granada de The Clash

Estou para escrever este post desde julho, mas a correria chegou a um ponto que eu simplesmente não consegui fazer mais da metade das coisas que planejei para este semestre.

Porém, como há alguns dias eu comentei sobre o movimento punk numa aula minha de cultura flamenca (acreditem, tinha tudo a ver naquele momento hahahaha!), eu estou com essa nostalgia que algumas pessoas sentem quando relembram ídolos, momentos e referências da juventude. Tá bem, minha adolescência foi bem depois do lançamento deste álbum, que deve ter sido o que eu mais ouvi em toda a minha vida. Porém, minha juventude foi marcada por bandas que meu pai escutava na época e, consequentemente, The Clash era uma delas.

The Clash embalou meus estudos, minhas paixões, as festas que eu frequentava até os vinte e poucos anos, meus trajetos de ônibus, de carro, as viagens, tudo.

Depois de um tempo, pouco a pouco, o rock foi dividindo espaço no meu coração com o flamenco. Duas paixões, porém, a segunda acabou virando também meu trabalho. Resultado: as bandas de rock que eu escuto ainda são as que eu ouvia antes, pois hoje em dia o tempo anda curto para me manter atualizada, como eu adorava fazer quando era mais nova. E a prioridade acaba sendo o flamenco, que muda numa velocidade vertiginosa.

Tudo isso para contar que em julho deste ano, numa viagem maravilhosa que fiz à Andalucía com meu esposo, após alguns anos sem viajarmos juntos para o sul da Espanha, incluímos Granada no roteiro e eu separei um dia para ir até à pequena praça inaugurada há alguns anos em homenagem ao vocalista da banda, Joe Strummer, por quem eu nutria uma paixão platônica quando eu era adolescente hehehe!

Pegamos ônibus, levamos mapa, andamos, subimos, descemos e lá longe, numa curvinha, eu avistei a "placeta" com seu nome. Cheguei lá e vi que ela, não apenas era minúscula e quase imperceptível a quem não tem ideia de sua existência, como também está meio detonada. 

A placa original, aparentemente, foi roubada e eles fizeram uma pintura com referência ao artista. 

Mesmo assim, me emocionei. E muito! Porque eu adoro Joe Strummer e lamentei demais quando ele faleceu. E também porque eu sei que os integrantes do The Clash adoravam a Espanha, especialmente Granada, e, por isso, sempre quis refazer um pouco seus passos naquela cidade tão incrível.

Dizem que uma vez perguntaram a Joe Strummer por que ele sentia essa atração pela cidade de Granada, e teria respondido que provavelmente, era porque ele era um romântico. Quer resposta mais flamenca do que esta?



Então, o post de hoje, após meses sem passar por aqui, vai em homenagem a eles. Porque já tinha um tempo que eu queria colocar uns clássicos da banda aqui e também porque encontrei esta matéria super bacana publicada pelo jornal El País e que refaz os passos do grupo por Granada. A matéria se chama La Granada de The Clash.

Abaixo, a fotinho da placeta, que eu fiz este ano, num momento de nostalgia pura, e que meu esposo não entendeu muito bem. hahahaha!


Agora, o disco mais escutado por mim na vida! Fiquei nostálgica de novo. Espero que o próximo post seja menos saudoso! 

Granados, Sevilla e boa leitura

Apaixonada por este tema há anos, cada vez sinto mais necessidade de parar de vez em quando para ler alguma publicação sobre a Andalucía do século 19. Não me canso de olhar e estudar as pinturas costumbristas e pensar o que passava pela cabeça das pessoas que ali chegavam após viajar dias e dias para desembarcarem numa região tão fascinante!

Vendedoras de rosquillas en un rincón de Sevilla (Wssel de Guimbarda)
Esta semana comecei a ler este livro, online. É muito interessante! Cronica de la Provincia de Sevilla foi escrito em 1869 por Don José Bisso. Basta clicar no link que você cairá no site da Biblioteca Virtual Andalucía.


Ah, e se quiserem viajar um pouco mais, que tal darem uma lida nesta matéria que fala um pouco sobre a Sevilla costumbrista?

Deixo sugestão de música para acompanhar a leitura!

O ideal é sempre um horizonte

O ideal é sempre um horizonte...


Senhora com um buquê de rosas - Lady with Bouquet of Roses 
Vincenzo Irolli


Esta é uma das frases lindas e inspiradoras que aparecem neste vídeo promocional do Museu do Prado, em Madri (a pintura de Irolli, que aparece no início do post, não está no Prado rsrsrs).

Em uma semana em que os dias estão custando a passar, optei por desconectar-me dos portais de informação e desisti de ler parte considerável do meu feed de notícias nas redes sociais. Bafafá, piadas de péssimo gosto, gente perdendo o respeito por toda e qualquer pessoa que tenha um pensamento diferente do seu... enfim, intolerância e tensão por todo canto (até entre as pessoas que se dizem super de boas).

Que cenário preocupante este que se desenha à nossa frente, qualquer que seja o resultado do próximo domingo! Confesso que estou muito cansada e muito entristecida com tanta falta de perspectiva.

Que a arte ao menos possa nos transpor, ainda que temporariamente, para outros mundos e outras épocas...


 


E Jordi Savall para completar a viagem!

Como faz?




Como faz quando o corpo está num lugar e a cabeça em outro? 

Normalmente, o amor pela Espanha faz com que este sentimento perdure o ano inteiro... não que a vida aqui não seja boa. Na verdade, é maravilhosa! Mas a nostalgia de tudo lindo que vivemos ali parece só crescer com o passar dos anos. 

Ao todo, de 1997 pra cá, já foram quase 20 idas à essa terra que tanto amo... pensem o investimento financeiro que isso demanda! E pessoal! E profissional! Muita gente não entende. De verdade. 

Me lembro que, ao pedir para meu avô ser fiador da sala que eu alugaria quando decidi criar a OF, sem muita pretensão, ele me falou: "Mas, dança, minha neta? Você é capaz de muito mais!" 

Eu sei que ele só estava preocupado com meu futuro... afinal de contas, viver no Brasil é viver preocupando-se com o dia de amanhã, a não ser que você tenha uma estabilidade como a dos servidores públicos. Do contrário, tudo pode acontecer. 

Confesso que muitas vezes ao longo desses anos pensei e repensei minhas escolhas... especialmente quando recebi reconhecimentos, propostas e convites quase que irrecusáveis para atuar no campo de pesquisa em sociologia, que é minha formação acadêmica. Não tem sido fácil abrir mão de algumas coisas em prol do flamenco.

Mas o amor é tanto, é tanto, que não consigo me ver longe do flamenco, da Espanha e de tudo o que envolve essa forma de viver, custe o que custar. 

Até quando? Não faço ideia... mas no momento, tudo o que sei é que o corpo está aqui, a cabeça está lá e o coração está nos dois lugares. Pois, embora eu ame ir para lá, também amo as pessoas com quem convivo aqui, e não me imagino longe delas. 

Acho que essa pergunta que fiz no início do post é retórica e não me levará a lugar algum... Ao menos por enquanto. 

Que tenhamos coragem de seguir nossos sonhos, força para enfrentar as consequências, amor para apaziguar o coração quando tudo parecer difícil e saúde para poder seguir trabalhando com o que tanto nos traz felicidade! 

Um dos maiores sinais de que sou imensamente realizada com o que faço é a alegria que sinto aos domingos quando lembro que às segundas eu dou aula! 


Um brinde ao flamenco, a quem devo tanto! E a Jerez, para onde irei dentro de alguns dias, para voltar, se Deus quiser, cheia de aprendizado e gratidão! E que o universo me permita seguir viajando para lá para beber dessa fonte inesgotável, como tenho feito até agora! 

Paris (resumo das férias) Combo



"O lugar para onde o caminho nos levará depende da nossa própria vontade e de nossos pensamentos." 
Marion Zimmer Bradley in: As Brumas de Avalon

Quem convive com virginianos sabe a dificuldade que é para essas ostras saírem de casa.

Ficar em casa é uma das maiores manias cultivadas por alguém regido por um signo de elemento terra.

E, talvez por isso, em véspera de viagem, eu sofra uma semana inteira só em pensar em afastar-me da família, dos gatinhos, de casa, da OF... enfim, da minha rotina. Pode parecer maluquice, mas eu amo minha rotina. hehehe!

Vista da marquise do apartamento que alugamos em Paris. Saudades!

Porém, também amo viajar! E, por isso, fiz um pacto comigo mesma: jamais deixarei minhas angústias pré-viagem atrapalharem meus passeios.

Tem épocas em que não é tão simples assim lidar com meus pensamentos (além de virginiana, sou, diga-se de passagem, muito criativa). Dessa vez, por exemplo. Mas, mesmo com o coração super apertado, eu mantive de pé o plano de viajar de férias para uma cidade que, alguns dias antes, viveu uma situação bastante atípica. Os atentados de 13 de novembro em Paris quase conseguiram minar o tal pacto que eu fiz comigo mesma há alguns anos. Várias preocupações somaram-se dessa vez e confesso que até a vontade de viajar estava indo pro brejo.

Mas graças ao meu super companheiro de viagem e à minha amada família eu não joguei tudo pro alto. Valeu muito a pena! E a eles serei sempre grata! Estas férias vieram em um momento muito crucial da minha vida e me ajudaram a fechar 2015 com muito mais cores, aromas e sabores na memória e no coração.

Porque joanete de bailaora tem que doer todos os dias da viagem 

Este pequeno resumo, embalado por uma música sensacional do grupo Paris Combo, mostra como valeu a pena ter superado o medo de avião, a preocupação com a casa, além de outros assuntos e ir passear um pouco.

As escapadas são fundamentais em nossa vida, sejam elas para pertinho de casa ou um pouco mais longe. O importante é nos lembramos que é possível enxergar a vida com outros olhos e saboreá-la onde quer que a gente esteja.


 

Quando uma cidade te pega pelo coração

Na primeira vez em que estive aqui, não me identifiquei muito com o ritmo dessa cidade.
Na segunda, embora sempre tenha achado Paris linda de viver, continuei achando as pessoas pouco acolhedoras.
Já na terceira vez em que visitei a capital das luzes com minha irmã, um verdadeiro afeto por Paris e seus arrondissements começou a crescer dentro de mim. ♡
Porém, foi justo agora que, contrariando todas as minhas expectativas, Paris conquistou um lugar definitivo no meu coração.


Gratidão enorme por mais essa oportunidade, por todos os momentos incríveis que passamos esses dias todos, pelas pessoas gentis com quem estivemos e por todos que, de alguma forma, me ajudaram a estar aqui. 

Saudades de casa! Contando as horas para chegar e ver todo mundo. Mas também desejando muito perder-me por Paris muitas e muitas outras vezes. Se Deus quiser, em breve!

E nenhum rosto é tão surrealista quanto o rosto verdadeiro de uma cidade. ~ Walter Benjamin

Aproveito para compartilhar este link super legal que conta um pouco sobre como era a cidade no início do século XX. Uma época pela qual eu tenho enorme fascínio!


 

Recordando a Triana

Em julho de 2014, após me dar de presente uma viagem de curta duração à Sevilla, onde tive a oportunidade de rever pessoas queridas, fazer aula com a fofíssima Leonor Leal e comprar muitos livros e discos de flamenco, voltei pra casa com mais um regalito: um álbum gravado em homenagem ao lendário grupo Triana, um dos precursores do rock andaluz e que fez muito sucesso nos anos 1970 e início dos anos 80.

Coração feliz na Alameda de Hércules...
Saudade define... 

Infelizmente, o grupo, que bebia de diversas fontes, entre elas, o flamenco, a poesia e o rock progressivo da época, teve sua trajetória bruscamente interrompida após a morte trágica de Jesús de la Rosa, seu cantor, tecladista e autor de grande parte do repertório do Triana, que não sobreviveu aos graves ferimentos provocados por um acidente de carro em outubro de 1983.

Desde que vou a Sevilla, escuto falar de Triana - não o bairro, o grupo. Mas nunca tive curiosidade de escutar, pois, embora soubesse que algumas das letras cantadas por Manuel Molina haviam sido escritas em parceria com Jesús de la Rosa, o rock progressivo não me empolga muito.



Capa do disco que eu trouxe em 2014, inspirada
na capa do álbum de lançamento da banda, nos anos 70

Porém, esta semana resolvi finalmente abrir o lindo CD gravado em homenagem ao grupo, que trouxe de Sevilla ano passado. Coloquei no som do carro, para ir ouvindo em doses homeopáticas.

Por fim, não apenas escutei o disco inteiro todos os dias, de segunda a sexta, como já tenho minhas músicas favoritas do coração. O que é a cantaora Argentina interpretando Abre la Puerta????

Yo quise subir al cielo para ver
y bajar hasta el infierno
para comprender
qué motivo es
que nos impide ver
dentro de tí
dentro de mí.
Abre la puerta, niña
que el día va a comenzar
se marchan todos los sueños
qué pena da despertar.
Por la mañana amanece
la vida y una ilusión
deseos que se retuercen
muy dentro del corazón.
Soñaba que te quería
soñaba que era verdad
que los luceros tenían
misterio para soñar.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.
Abre la puerta niña
y dale paso al amor
mira que destello tiene
esa nube con el sol.
Por la mañana amanece
la vida y una ilsuión
deseos que se retuercen
muy dentro del corazón.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.
Abre la puerta, niña
que el día va a comenzar
se marchan todos los sueños
que pena da despertar.
Hay una fuente niña
que la llaman del amor
donde bailan los luceros
y la luna con el sol.





Foi bom ter começado a escutar Triana a partir da homenagem feita por alguns artistas. As gravações atuais são muito bonitas e a qualidade do áudio excelente. Diferente dos álbuns originais. Talvez eu não tivesse me apaixonado tanto pelo grupo se tivesse começado pelas gravações dos anos 70, pois elas lembram muito algumas bandas que meu pai ouvida quando eu era criança e que eu não curtia muito hahahaha! Rock progressivo era, na minha infância, sinônimo de horas de solo de guitarra e bateria durante nossas viagens de carro para o Rio de Janeiro. Além do mais, eu guardo uma certa nostalgia dessa época e sempre acho que nunca nenhum outro grupo irá superar os solos de Pink Floyd, Iron Butterfly, entre outros.

Mas Triana roubou meu coração, assim como o bairro, assim como Sevilla. Cada vez amo mais essa cidade e tudo que diz respeito a ela. E este grupo simplesmente consegue nos transportar no tempo e no espaço. É fantástico imaginar como tudo devia ser incrivelmente apaixonante para os andaluzes no momento em que este trio unia o rock progressivo ao flamenco, interpretando letras maravilhosas, que são pura poesia.



Confesso que passei a semana numa vibe meio estranha. Fiquei meio fixada com o grupo, li tudo sobre a banda, sobre o cantor que faleceu tão precocemente... Deu até tristeza pensar em como o destino é capaz de interromper projetos tão criativos, bonitos e originais como foi esta banda. Mas o legado ficou e isso nos torna pessoas de sorte, pois mesmo passado tanto tempo podemos escutá-los e escutar as lindas regravações de seu trabalho.



Vida longa ao rock andaluz!

Para saber mais sobre Triana, sugiro os seguintes links:

Jesús de la Rosa, el poeta de la calle Feria... 

Triana, una historia

Escucha dos temas inéditos de Triana en exclusiva

El patio, ¿de Triana?

Recordando a Triana

Madha Morisco

Em 2014, tive a oportunidade de assistir a uma apresentação do Al Firdaus Ensemble dentro da programação das Noches en los Jardines del Real Alcázar e fiquei simplesmente extasiada! Estava com minha grande amiga Elisa e Lourdes, minha tia e querida companheira de viagem. Foi simplesmente um daqueles momentos da nossa vida que jamais nos esqueceremos.


Para minha felicidade, encontrei este vídeo hoje no youtube. Ele traz uma das músicas que eles tocaram naquela noite. Trata-se de um poema do século 17, escrito em aljamiado, ou seja, em espanhol com a grafia em árabe.



Vejam que maravilha! Agora imaginem escutar ao vivo, nos jardins do Alcázar de uma das cidades que eu mais amo, Sevilha, e ao lado de pessoas mais do que queridas!


First Aid Kit



First Aid Kit é uma banda sueca formada por duas irmãs super novinhas, nascidas no início dos anos 1990. 

Hoje foi dia de madrugar (ainda mais) e aproveitei para fazer algo que já tinha um tempo que eu não fazia que era buscar pro novos álbuns online para escutar enquanto trabalho. Este ganhou meu coração.

Confesso que o cenário ideal para ouvi-lo me parece outro: mala pronta, passagem em mãos e a promessa de duas semanas de férias incríveis em algum canto do planeta. :) 

Na minha opinião existem dois tipos de viajantes: 
os que viajam para fugir e os que viajam para buscar.
(Érico Veríssimo)

Ah, e o detalhe destes vestidos lindossssss de viver que elas usam na foto da capa do álbum! *-*

 

Vida, praia e água de coco

Homem livre, tu sempre gostarás do mar.
Charles Baudelaire



Para dias em que acordamos sonhando com uma praia vazia, água de coco gelada e pés pra cima. Ah, e a brisa salgada do mar, que é pra mandar embora qualquer energia negativa. Por hora, a água de coco é o que está mais fácil de conseguir... :)

Dead Combo, Fernando Pessoa e um cadinho de Lisboa

Primeira vez que escuto Dead Combo e já apaixonada pelo grupo português, criado em 2004 e, infelizmente, pouco conhecido por aqui. Escutar este som me deixou com mais vontade ainda de bater perna por Lisboa, ser hipnotizada por aquela cor linda que a cidade possui e mergulhar na obra de Fernando Pessoa. Falando nele, descobri que em 1925, o poeta escreveu um roteiro turístico, um passeio imaginário pelos principais museus, monumentos e ruas da capital portuguesa. O título é "Lisboa: O Que o Turista Deve Ver", e ali ele dá detalhes, dicas e conta parte da história de sua cidade natal. Para saber mais, leia a matéria publicada pela Revista Planeta clicando aqui.



E por falar nisso, fica mais uma dica para quem quiser ler mais sobre sua obra. Acesse o site Arquivo Pessoa para ler um vastíssimo material online. 


Sê plural como o universo! ~ Fernando Pessoa




Adoniran Barbosa + #nickspdays

Defesa agendada e pânico instalado. Já comecei a pensar em coisas bacanas para fazer depois que esse vendaval passar (não só pela tese, mas por mil outras coisas que aconteceram este ano). Mas a boa notícia é que todos os vendavais passam. :) Uns dias em São Paulo são sempre uma boa pedida. Já tenho uma lista de restaurantes veganos, teatros, feiras, lojas bacanas, museus, ruas e amig@s para visitar. Enquanto não marco a passagem, acompanho com alegria a recuperação do meu querido tio, que está passando umas semanas em Sampa e, para nosso deleite, tem registrado cenas memoráveis nessa selva de pedra tão apaixonante e cheia de história. Quem quiser conhecer mais sobre o projeto #nickspdays clica no link e aproveita para dar o play no vídeo do youtube que aparece aqui no post, porque nada melhor que escutar Adoniran Barbosa enquanto babamos com tanta foto linda. Viva SP e todas as pessoas que compartilham conosco o que há de melhor nessa cidade alucinante!



Son de la Frontera, Fragole Infinite e difícil ato de se concentrar em uma tarde de domingo...

Palmas flamencas (dobradas) para a pessoa que consegue se concentrar em qualquer coisa num domingo à tarde. Para mim é uma tarefa simplesmente impossível. E o pior: a falta de foco tem uma companheira implacável: a culpa.

Bom, enquanto dou uma pausa para o café, não faz mal nenhum sonhar que fui ao Fragole Infinite comer uma das delícias da querida Maribel, em Jerez de la Frontera, e voltei. Uma torta de pera com chocolate seria simplesmente perfeita neste exato momento. Que saudade!


Son de la Frontera para embalar os sonhos... e um pouco da culpa. :)





Córdoba, Beatles e Guimarães Rosa


Música perfeita que tocou na volta do nosso passeio por Córdoba. Sem palavras para agradecer ao casal mais querido de Sevilla, Elisa e Daniel, por tanta gentileza e tantas risadas. 

Merece de a gente aproveitar
o que vem e que se pode,
o bom da vida é só de chuvisco.
~ Guimarães Rosa

 

Nights from The Alhambra


Música para sonhar....


Imaginem que emoção indescritível poder assistir Loreena Mckennitt ao vivo na Alhambra!

 

Porque a vida é como uma luz que nunca se apaga

Essa música é tão tão perfeita que eu me apaixono por cada cover que descubro. Este é um dos que merecem ser compartilhados. Voltando ao clássico do saudoso grupo The Smiths, quem não sente uma nostalgia imensa ao escutar "There is a light that never goes out"? 

Perfeito para fechar esta semana, que não foi nada fácil. Aliás, que ano de aprendizado, não é mesmo? Nada de reclamar... mas sim tentar tirar o melhor proveito dele, por mais que às vezes as situações pareçam difíceis. Estive vendo um pouco do trabalho do fotógrafo francês Robert Doisneau e as imagens me fizeram pensar em tanta coisa... é um daqueles casos em que a sociedade nos é apresentada por meio de todas as suas facetas: divertida, romântica, inspiradora, duvidosa, perversa, esperançosa e por aí vai... fiquei imaginando qual seria a reação do fotógrafo ao ver coisas duras, como, por exemplo, algumas fotos de animais maltratados, e ainda assim ter firmeza para registrar aquilo tudo. Por outro lado, é maravilhoso pensar que ele foi capaz de capturar uma imagem clássica - assim como a música deste post - que se tornou cartão postal da capital francesa. Quer saber qual foto? Clique no link abaixo para descobrir. :)


  

As maravilhas da vida cotidiana são tão emocionantes. Nenhum diretor de filmes pode organizar o inesperado que você encontra na rua ~ Robert Doisneau (fotógrafo) 

Para ver outras fotos feitas por Doisneau, clique em
http://www.vintag.es/2012/04/fun-awesome-streetlife-photographs-by.html


Carlos Cano

Canción de influencia andalusí, cuya letra está sacada de los versos del rey poeta de Sevilla, Al-Mutamid (Mohammad ben Abbad, Beja 1040- Agmat 1095) 







A MI CADENA | Al-Mutamid


Cadena mía, ¿no sabes que me he entregado a ti?
¿por qué, entonces, no te enterneces ni te apiadas?
Mi sangre fue tu bebida y ya te comiste mi carne.
No aprietes los huesos.

Mi hijo Abu Hasim, al verme rodeado de ti,
se aparta con el corazón lastimado.
Ten piedad de un niñito inocente que nunca temió
tener que venir a implorarte.

Ten piedad de sus hermanitas, parecidas a él y a
las que has hecho tragar veneno y coliquíntida.
Hay entre ellas algunas que ya se dan cuenta,
y temo que el llanto las ciegue.
Pero las demás aún no comprenden nada y no
abren la boca sino para mamar

EL REY AL-MUTAMID DICE ADIOS A SEVILLA | Carlos Cano
De la luna y el sol, 1980

Habibi
En esta incierta hora
Cuando ya mi corazón
Dice adiós a este tiempo
Habibi

Y Alá
Me llama en el silencio
Mientras se oye por el aire
El vuelo de los buitres esperando

Nadie llore por mi
Si acaso en el recuerdo
Algunos versos
Que yo fuí un gran señor
Que tuvo un reino hermoso
Junto a un río

Sevilla
Sevilla, ¡ay que lejos!
¡Ay Sevilla!
La única cadena que yo siento

Cadena
Si yo a ti me entregué
¡Ten piedad de mí!
Cadena

Habibi
Damma-ni damma

Fonte:

Registros de Andalucía - Granada

Dando sequência aos posts anteriores com dicas sobre a Andaluzia, esse de hoje é inteiramente dedicado a Granada, último baluarte mouro da Espanha, que foi passado para as "mãos" dos reis católicos em 1492, mas nunca perdeu seus traços árabes. 

Granada é uma cidade é tão linda e tão charmosa que nem mesmo é preciso um monumento específico para querer sair e passear pelas ruas, sentar-se em um café ou bar, seja para tomar um Tinto de Verano ou uma Sangria. O clima da cidade é realmente uma delícia! 

Sempre sugiro aos amigos e amigas que se hospedem em lugares centrais que permitam sair para bater perna pela cidade. Por lá, recomendo pagar por um daqueles tíquetes de passeio de ônibus (city tour), pois com ele dá ir a alguns lugares mais distantes e voltar para centro, como, por exemplo, à encosta que da acesso à Alhambra, ao Albaicín e ao Bairro de Sacromonte, que é o berço cigano daquele lugar e vale a pena visitar. Embora visitar tudo isso caminhando seja uma delícia, esses locais são cheios de altos e baixos e preciso comentar que cansa muuuuito!


Outra dica que sempre dou é das pessoas comprarem com antecedência as entradas para a Alhambra. É só entrar no site e comprar, pois assim é possível escolher o horário da visita ao principal palácio que tem lá, pois apenas ele tem horário de visita marcado. Dependendo da época do ano, fica cheio e aí pode ser que vcs tenham que esperar algumas horas para entrar.


Sobre a Alhambra, o lugar é deslumbrante. Levem máquina fotográfica ou celular com cartão de memória com bastante espaço para que possam registrar tudo. É maravilhoso, a gente passa horas se deslumbrando com os palácios, os jardins, a vista da cidade... Acho que é bom reservar para a Alhambra umas 3, 4 horas no mínimo (no mínimo mesmo). Lembrem-se de levar água também e de irem com roupas e calçados bem confortáveis (Granada é meio parecido com Belo Horizonte, tem umas subidas que cansam rsrsrs). E na Alhambra, tem muito lugar para andar, os jardins são imensos. E tem ainda o Generalife, que seria uma espécie de "casa de verão", onde os reis muçulmanos iam descansar.

Uma curiosidade que muita gente aficionada pelo flamenco não sabe: em 1922, o poeta Federico García Lorca organizou junto com o compositor Manuel de Falla o primeiro Concurso de Cante Jondo e o evento ocorreu na Plaza de los Aljibes dentro da Alhambra! O lugar passa meio despercebido atualmente, mas sempre eu vou ao local, eu me pego sonhando e imaginando como deve ter sido na época, um espaço tão simples e repleto de artistas que marcaram a história do flamenco!

Generalife

Dependendo da hora em que o/a visitante sair de lá, ainda dá tempo de ir ver o por-do-sol no Mirador de San Nicolas, que fica no Albaicín. De lá, vcs vão ver o sol batendo na Alhambra, e entenderão porque ela recebeu esse nome. Alhambra significa A Vermelha em árabe (Al hamra) e esse nome se deve à cor que o complexo arquitetônico fica quando a luz do sol bate sobre ele. O melhor lugar para ver isso é neste mirador. É um dos lugares mais gostosos de Granada e eu considero visita obrigatória. O fim da tarde é realmente deslumbrante lá. :)) Ah, se preparem para encontrar uma gitana bailando num tabladinho minúsculo, acompanhada com alguns músicos. É bem animado!


O Albaicín é um lugar fácil de se perder porque as casas são todas branquinhas, tem subidas, descidas, ruelas... é tudo meio parecido. O ônibus vai até um lugar bem pertinho do mirador. Da para perguntar às pessoas em caso de alguma dúvida também. O bairro é muito charmoso. No passado, havia muitas mesquitas, pois havia uma população muçulmana bem grande. Mas depois foi praticamente tudo destruído. No entanto, ainda dá para perceber o quanto a cidade é "moura", como eles mesmos dizem. 

Dá para notar isso em tudo por lá... inclusive na quantidade de marroquinos que agora estão pela cidade, com suas casas de chá, de artesanato etc. Mais pro centro da cidade, para quem sai do Albaicín e passa pela Plaza Nueva, existe uma rua subindo que é toda meio árabe. É de uma beleza ímpar, pois as lojas são todas de imigrantes, tem restaurantes, casas de chá. Eu considero muito bonito mesmo. Ali na Plaza Nueva e pouco adiante, próximo à Plaza Isabel la Católica, também dá para comer bem, ou pelo menos tomar uma sangria. E, claro, muito provavelmente vocês poderão ver alguém dançando flamenco ali perto. 


Não deixem de ir ao Corral del Carbón, que não fica muito longe dessa praça... é um lugar onde funcionava com pousada aos viajantes, tinha armazéns e por onde passava muita gente. Data do século XIV e é ainda um dos mais emblemáticos resquícios da época do Al-andalus na região. Às vezes ocorrem apresentações de flamenco maravilhosas por lá. Tem inclusive um festival de música por ali no verão... 

A catedral é belíssima também, e não fica longe desse centro que eu mencionei acima.... dá para ir a pé. Atenção para aquelas pessoas que ficam oferecendo florzinhas na porta das igrejas, pois depois elas não saem mais do pé até ganharem algum trocado. A abordagem e a pressão é muuuuuito chata e desconfortável. 

Para ir a Sacromonte, que é um bairro cigano, eu recomendo o ônibus mesmo. O lugar é um charme e vale o passeio. Lá tem um museu que eu adorei, chamado Centro de Interpretación de Sacromonte. É interessantíssimo! Atualmente, eu tenho visto também o Museo Cuevas de Sacromonte sendo indicado nos sites de turismo e me parece ser quase o mesmo local. Confesso que não fui nesse segundo, mas se não for o mesmo, é beeem parecido. Acho que dá para ir a um dos dois. Mas não deixem de desfrutar o bairro como um todo, visitando também as Zambras onde podemos assistir algumas apresentações de flamenco bem turísticas, mas que acabam sendo uma experiência imperdível para quem visita esta cidade.


Se quiser ver mais flamenco, também há tablados e alguns muito bons! Ah, locais onde se encontra flamenco de excelente qualidade em Granada: Peña Flamenca La Platería, Museo de la Zambra, Le Chien Andalou (antigo Upsetter) e Jardínes de Zoraya, Palacio de los Olvidados (este local também é um museu sobre a presença judaica na cidade na idade média, mas à noite tem flamenco!) e outros. :))


Ainda para quem ama o flamenco, sugiro visita ao Museo Casa de los Tiros, um lugar meio escondidinho, super low profile, mas que nos leva a uma viagem no tempo maravilhosa, nos transportando para o período em que os viajantes românticos estiveram ali buscando aventuras e as deixaram registradas em pinturas e diários de viagem incríveis! O lugar é demais! Tentem ir!!!

Detalhe da obra de Isidoro Marín (Paisaje de Granada), quadro que pode ser visto no museu Casa de los Tiros

Um outro lugar que me surpreendeu e me encantou imensamente em Granada foi o Parque de las Ciencias. É maravilhoso e você volta a ser criança por lá. Eu fui em uma viagem com as minhas irmãs e adiei a visita até o último dia. Por fim decidimos ir e eu agora indico para todo mundo, pois é sensacional e divertidíssimo. É um parque todo voltado para ciências, mas super lúdico, bem organizado e que diverte pessoas de todas as idades. Recomendo demais :))



Bom, esses são os lugares que eu mais gosto lá... Sei que Granada possui ainda muitas outras atrações e possibilidades de passeio. Por exemplo Sierra Nevada, a Huerta de San Vicente, que é a Casa Museo de Federico García Lorca, por quem sou apaixonada. Mas as dicas que eu mencionei acima eu dei para pessoas que tinham muito pouco tempo para visitar a cidade e por isso acabei enxugando alguns pontos importantes! 

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